A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos no início de janeiro de 2026 provocou uma onda de reações divergentes entre venezuelanos no exterior, refletindo tanto alegria e esperança quanto preocupação e protestos contra a intervenção estrangeira entre a diáspora espalhada pelo mundo.
Em cidades com grandes comunidades venezuelanas, como Doral, na Flórida (EUA), imigrantes saíram às ruas para celebrar a queda de Maduro, que muitos consideram o fim de décadas de repressão, crise econômica e migração forçada. Em pontos de encontro cultural como o restaurante El Arepazo, venezuelanos se reuniram para entoar gritos de “Libertad” e expressar alívio após anos de sofrimento sob o regime chavista.
A celebração não se limitou aos Estados Unidos. Em Santiago (Chile), grupos de venezuelanos na diáspora ergueram bandeiras e felicitavam-se pela possibilidade de um novo começo político, combinando euforia com apreensão diante do futuro incerto do país natal.
Porém, nem todas as reações no exterior foram de comemoração. Em várias cidades dos EUA, como San Antonio (Texas), venezuelanos e ativistas organizaram protestos contra o ataque militar dos EUA, denunciando a operação como uma violação do direito internacional e um perigoso precedente de intervenção estrangeira.
O clima entre a diáspora é descrito como uma mistura de sentimentos — alegria pela saída de Maduro, mas também receio sobre a condução da transição política e o papel dos Estados Unidos no país. Enquanto alguns enxergam o episódio como a oportunidade para a restauração da democracia, outros temem que a intervenção possa trazer instabilidade e riscos à soberania venezuelana, especialmente se a administração temporária estiver sob comando exterior.
Na Europa, grupos de venezuelanos em cidades como Madrid também celebraram nas ruas, com encontros que combinaram emoção e cautela, uma vez que a situação no terreno ainda é incerta e o caminho para uma transição democrática não foi claramente definido.
Essa multiplicidade de reações reflete tanto a diversidade política na diáspora venezuelana quanto as profundas feridas causadas por anos de crise econômica, repressão política e um êxodo em massa que levou milhões a buscar novos lares fora do país. A queda de Maduro foi recebida como um momento histórico por parte significativa da comunidade no exterior, embora muitos ainda ponderem sobre os desafios humanitários e políticos que se estendem para além da simples mudança de liderança.
Em suma, a resposta dos venezuelanos no exterior ao ataque dos EUA e à queda de Maduro oscilou entre euforia, esperança, cautela e protesto, espelhando a complexidade de uma crise que ultrapassa fronteiras e continuará a moldar debates sobre soberania, poder militar e futuro político da Venezuela.