Venezuela: Conselho de Segurança da ONU se reunirá na segunda-feira

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Venezuela: Conselho de Segurança da ONU se reunirá na segunda-feira

A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou neste sábado (3) que o Conselho de Segurança realizará uma reunião de emergência na segunda-feira (5) para discutir a grave crise política e militar na Venezuela, após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos e o subsequente anúncio de intervenção temporária americana no país.

Reunião em meio à maior tensão hemisférica em décadas

A convocação partiu da Federação Russa, com apoio da China e de países do BRICS, que classificaram a ação militar norte-americana como uma “violação da Carta das Nações Unidas e do princípio de soberania nacional”. A sessão — marcada para a tarde de segunda-feira, em Nova York — deverá contar com a presença de representantes de Rússia, China, Brasil, França, Reino Unido e Estados Unidos, além de observadores regionais da América Latina.

O encontro ocorre em meio à escalada de tensões diplomáticas desde a ofensiva americana, que resultou na captura de Maduro e na declaração do presidente Donald Trump de que os EUA “governarão provisoriamente a Venezuela até a posse de um novo governo eleito”.

Brasil e aliados pedem moderação

O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, confirmou presença na sessão e deve defender uma solução multilateral e pacífica para a crise, rejeitando tanto o autoritarismo do regime chavista quanto o uso unilateral da força pelos Estados Unidos.

“O Brasil defende o diálogo e a mediação internacional sob a égide da ONU. Nenhum país pode intervir militarmente em outro”, afirmou o chanceler Mauro Vieira, em nota.

Outros países da América Latina — como México, Colômbia, Chile e Argentina — também devem apresentar manifestações conjuntas na reunião, pedindo o restabelecimento da ordem constitucional e a retirada gradual das tropas estrangeiras do território venezuelano.

Posições divergentes

Enquanto Estados Unidos e Reino Unido pretendem defender a operação militar como uma “ação legítima de libertação e transição democrática”, Rússia e China insistem que se trata de “ocupação e violação do direito internacional”. Analistas acreditam que não haverá consenso no Conselho, já que EUA, Rússia e China detêm poder de veto, o que tende a bloquear qualquer resolução prática imediata.

Crise humanitária e risco de confronto

A ONU também deve discutir riscos humanitários decorrentes da intervenção, já que milhares de civis venezuelanos estão tentando deixar Caracas e cidades do interior desde o início da operação americana. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) alertou para um possível novo fluxo migratório em direção à Colômbia e ao Brasil, pedindo reforço nas fronteiras e ajuda humanitária imediata.

Um teste para a diplomacia global

Especialistas veem a reunião de segunda-feira como um dos encontros mais tensos do Conselho de Segurança nos últimos anos, comparável à crise do Iraque em 2003.

“O resultado dessa sessão indicará se o sistema internacional ainda é capaz de conter ações unilaterais de potências militares”, afirmou o pesquisador Andrés Velasco, da Universidade de Santiago do Chile.

Com discursos duros esperados de ambos os lados, a expectativa é que a ONU tente mediar uma saída diplomática supervisionada que envolva países latino-americanos, evitando o prolongamento de uma crise que já ameaça redesenhar o equilíbrio político nas Américas.