Várzea Grande-MT no Limbo do Lixo: Decisões Judiciais Agravam Crise e Deixam Cidade Sob Acúmulo de Resíduos

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Várzea Grande-MT no Limbo do Lixo: Decisões Judiciais Agravam Crise e Deixam Cidade Sob Acúmulo de Resíduos

Conflitos no Judiciário de Mato Grosso, disputas contratuais e falhas administrativas transformam serviço essencial em tragédia urbana para milhares de moradores

Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá (MT), está vivendo um dos piores episódios de acúmulo de lixo nos últimos anos, com sacos de resíduos e detritos se espalhando pelas ruas e gerando revolta entre moradores. A crise, que já se arrasta há meses, ganhou novos contornos com decisões judiciais contraditórias que impactaram diretamente a execução de um serviço público essencial.

No centro do impasse está a empresa Locar Saneamento Ambiental, que vinha realizando a coleta de resíduos no município. Em dezembro de 2025, uma decisão judicial durante o recesso forense suspendeu a contratação emergencial de uma nova prestadora de serviço, mantendo a Locar no comando mesmo em meio a reclamações e investigações por possíveis irregularidades em licitação.

Nos primeiros dias de 2026, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) voltou a reverter decisões em ritmo acelerado: uma liminar que permitia à prefeitura rescindir o contrato com a Locar foi suspensa, levando a empresa a interromper os serviços de coleta. Caminhões foram recolhidos às garagens e a cidade começou a observar montanhas de lixo em bairros como Manga e outros pontos urbanos.

Diante do caos, o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, suspendeu outra liminar que impedia a administração municipal de contratar uma prestação emergencial alternativa, restituindo à prefeitura a autonomia para tentar organizar o serviço.

Na prática, o imbróglio judicial — com decisões conflitantes em prazos curtíssimos — gerou insegurança institucional. Enquanto o Consórcio Pantanal Ambiental foi autorizado a iniciar atividades de coleta emergencial, ainda não há garantia de ritmo suficiente para limpar totalmente a cidade.

Moradores e vereadores denunciam que a falta de coordenação entre Judiciário, Executivo e empresas contratadas apostou a população no meio da disputa, deixando bairros inteiros convivendo com lixo acumulado, riscos sanitários e a sensação de que até as instituições públicas parecem desconexas diante de um problema que afeta diretamente a saúde e a qualidade de vida de milhares de cidadãos.

O caso realça como decisões judiciais — legítimas em sua função — podem ter efeitos devastadores quando não há alinhamento com a urgência social em serviços essenciais. A população agora aguarda, entre respostas e caminhões de lixo, a definição de quem de fato vai garantir a coleta regular e eficiente na terceira maior cidade de Mato Grosso.