Trump quer comprar a Groenlândia em vez de invadi-la, diz secretário de Estado dos EUA

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Trump quer comprar a Groenlândia em vez de invadi-la, diz secretário de Estado dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar a aquisição da Groenlândia no centro de debates geopolíticos ao ponto de sugerir que a Casa Branca está avaliando comprar o território em vez de invadi-lo, segundo declarações atribuídas ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, em reunião fechada com legisladores. A informação está sendo relatada por órgãos de imprensa nesta semana.

Rubio afirmou a congressistas que Trump pediu aos seus assessores que apresentassem planos para uma aquisição negociada da Groenlândia — que hoje é um território autônomo vinculado ao Reino da Dinamarca — em vez de optar por uma ação militar para assumir o controle do estratégico território no Ártico. A sugestão ocorre num momento em que o interesse norte-americano pela ilha tem sido intensificado por motivos de segurança nacional e competição geopolítica com potências como Rússia e China.

Segundo relatos, Trump considera a Groenlândia vital por sua posição geográfica e os potenciais recursos naturais estratégicos ali presentes, como metais de terras raras e potencial petrolífero — fatores que ganham importância à medida que o Ártico atrai mais atenção internacional devido ao derretimento do gelo e à abertura de novas rotas marítimas.

Embora a administração ofereça a compra como alternativa ao uso da força, outras declarações oficiais da Casa Branca não descartaram completamente ações militares. A porta-voz Karoline Leavitt declarou que o uso das Forças Armadas é “sempre uma opção” nas discussões sobre como adquirir o território, ressaltando, no entanto, que a negociação diplomática é o caminho preferido.

A proposta — ainda informal e sujeita a forte resistência internacional — resgata um interesse histórico dos EUA pela Groenlândia: desde o século XIX, autoridades americanas já cogitaram a compra da ilha, e Trump havia levantado a ideia durante seu primeiro mandato em 2019, quando a Dinamarca rejeitou a proposta citando soberania e autodeterminação dos groenlandeses.

A reação à declaração de Rubio foi imediata. Líderes da OTAN — incluindo Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha e Polônia — divulgaram posicionamento conjunto com a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, enfatizando que a segurança no Ártico deve ser garantida de forma coletiva e respeitando a soberania e integridade territorial do território. “A Groenlândia pertence ao seu povo”, afirmaram, em crítica às ambições norte-americanas.

Autoridades dinamarquesas e groenlandesas têm se mantido firmes em rejeitar qualquer fala sobre venda do território. O primeiro-ministro groenlandês destacou que a ilha deve decidir seu próprio futuro, reforçando que “não está à venda e nunca estará à venda” — uma posição repetida desde as recusa anteriores de 2019.

Especialistas em relações internacionais avaliam que, mesmo com o desejo de negociação, qualquer tentativa de compra ou mudança de status da Groenlândia enfrenta obstáculos jurídicos significativos sob o direito internacional contemporâneo, que privilegia a autodeterminação dos povos e a soberania de Estados estabelecidos.

A discussão em torno da Groenlândia ilustra não apenas uma estratégia de segurança dos EUA no Ártico, mas também as complexidades de diplomacia, poder militar e interesses econômicos globais em uma região que ganha crescente importância estratégica no século XXI.