Em uma escalada inédita das relações entre os Estados Unidos e países da América Latina, o presidente americano Donald Trump voltou a agitar o cenário geopolítico no continente após uma ofensiva militar contra a Venezuela, afirmando que uma operação militar contra a Colômbia “soa bem” para ele caso o governo de Bogotá não mude de postura. A ameaça foi feita neste domingo, 4 de janeiro, em declarações à imprensa a bordo da Força Aérea Um.
A retórica de Trump surgiu no rastro de uma operação militar dos EUA em território venezuelano que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, segundo comunicado oficial em Washington. A administração americana justificou a ação como parte de uma campanha contra o narcotráfico e o que descreve como “narcoterrorismo”, mas a operação provocou ampla condenação internacional e intensificou a instabilidade na região.
Durante sua fala, Trump criticou duramente o presidente colombiano Gustavo Petro, acusando seu governo de ser conivente com a produção e tráfico de cocaína e sugerindo que uma ação militar naquele país poderia ser considerada — uma afirmação que Bogotá classificou como “ameaça inaceitável e interferência nos assuntos internos”.
Autoridades colombianas exigiram respeito à soberania nacional e ressaltaram que tais comentários violam o direito internacional, enquanto governos de outros países latino-americanos alertaram para uma possível crise diplomática ainda mais profunda na região.
Analistas observam que as declarações de Trump refletem uma política externa agressiva que vai além do discurso de combate ao narcotráfico — englobando interesses estratégicos mais amplos dos EUA na América Latina. A ameaça explícita contra a Colômbia ocorre em um contexto de já alta tensão após a incursão militar na Venezuela, que foi amplamente criticada por líderes mundiais e organismos internacionais como violação de soberania e da Carta das Nações Unidas.
Enquanto Trump sustenta que medidas duras são necessárias para enfrentar desafios como a criminalidade transnacional, especialistas alertam para o risco de deterioração das relações multilaterais com os países vizinhos e um possível agravamento de conflitos regionais se a retórica beligerante evoluir para ações concretas.