Medida afeta rede de comércio internacional e coloca Brasil em alerta por laços comerciais crescentes com Teerã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) a imposição de tarifas extras de 25% sobre produtos de países que mantiverem relações comerciais com o Irã, em mais uma escalada das tensões geopolíticas envolvendo Teerã. A determinação, segundo Trump, entra em vigor imediatamente e é “final e irrecorrível”, com impacto direto sobre decisões de política externa e comércio internacional. A declaração foi feita em postagem na plataforma Truth Social.
A estratégia americana, que se assemelha a sanções secundárias, busca isolar economicamente o Irã e forçar países a escolherem entre comércio com Teerã ou manter acesso ao mercado dos EUA sem penalidades tarifárias. Especialistas em comércio internacional afirmam que essa abordagem pode afetar cadeias produtivas globalmente.
O Brasil entra no radar dessa política devido ao seu relacionamento comercial com o Irã — ainda que relativamente modesto no contexto global, mas significativo em certas cadeias de produtos. Em 2024, as exportações brasileiras para o Irã foram estimadas em cerca de US$ 3 bilhões, concentradas principalmente em produtos agrícolas como cereais, resíduos alimentares e oleaginosas, como soja e milho.
Por sua vez, as importações brasileiras vindas do Irã são muito menores, somando pouco mais de US$ 10 milhões no ano passado, segundo dados de comércio internacional. Isso reflete uma balança comercial fortemente superavitária para o Brasil com o país persa — uma característica histórica do intercâmbio bilateral.
Analistas destacam que, embora a participação do Irã nas exportações totais do Brasil seja pequena frente a gigantes como China e Estados Unidos, o mercado iraniano tem importância para produtores agrícolas e industriais brasileiros, que veem oportunidades de expansão nesses setores mesmo diante de restrições internacionais.
Países como China, Índia e Turquia, que também mantêm comércio regular com o Irã, podem sofrer impactos significativos das novas tarifas, criando um dilema para suas políticas econômicas externas.
Até o momento, a Casa Branca não detalhou mecanismos de exceção ou regras específicas para a aplicação das tarifas, e governos estrangeiros estudam respostas diplomáticas e estratégicas à medida que se ajustam a esse novo capítulo nas disputas econômicas globais.