Após reunião no Capitólio e gesto simbólico com Nobel da Paz, oposição venezuelana avança diálogo com líderes americanos em meio a reconfiguração política na Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta quinta-feira (15) a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, em um encontro marcado por simbolismos fortes e sinalizações de mudança no relacionamento entre Washington e Caracas. O evento, considerado “positivo” pela Casa Branca, ocorre em um momento de intensa movimentação diplomática após a queda do regime de Nicolás Maduro e tenta consolidar uma nova fase nas relações entre os dois países.
Machado, que deixou a Venezuela em dezembro de 2025 e tem se posicionado como interlocutora de setores democráticos para a transição política, afirmou ter entregue simbolicamente sua medalha do Nobel da Paz a Trump — um gesto que gerou repercussão internacional, mesmo após o Instituto Nobel da Noruega esclarecer que a distinção não pode ser oficialmente transferida ou compartilhada.
Segundo relatos, o encontro entre Trump e a líder opositora foi descrito como “ótimo” por Machado, que defendeu a importância da cooperação com os Estados Unidos para a reconstrução democrática de seu país e a libertação de presos políticos. A agenda da venezuelana nos Estados Unidos continua com uma série de encontros no Senado americano, com parlamentares democratas e republicanos, numa tentativa de ampliar apoio bipartidário às suas propostas.
Apesar do tom diplomático, analistas apontam nuances importantes: a administração Trump tem **reconhecido a presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro, como figura central para a transição, deslocando levemente o foco político de Machado mesmo após os elogios da oposição venezuelana. Isso ocorre num contexto em que Enviados de Caracas também foram anunciados para dialogar com autoridades norte-americanas no mesmo dia em que Machado visitou Washington, reforçando a tentativa de retomar canais formais de comunicação entre os governos.
O encontro é interpretado tanto como um gesto de apoio à oposição democrática quanto como parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para estabilizar a situação venezuelana, combinando pressão política, diplomacia e interesses energéticos na região.
Neste cenário, María Corina Machado busca consolidar sua influência política no exterior e dentro da Venezuela, enquanto interlocutores em Washington debatem como apoiar transições pacíficas e, ao mesmo tempo, garantir estabilidade regional após anos de crise e isolamento diplomático.