Em pronunciamento oficial na Casa Branca neste sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington assumirá temporariamente o governo da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante a recente operação militar americana no país. Segundo Trump, os EUA “garantirão a ordem, a segurança e a reconstrução democrática da Venezuela até que um novo presidente eleito assuma”.
“Missão de transição democrática”
Trump afirmou que a medida não se trata de anexação, mas de uma “missão internacional de estabilização e transição democrática”. Ele anunciou a criação de um Conselho de Reconstrução Venezuelano, composto por autoridades norte-americanas e por venezuelanos no exílio, que administrará o país “até a realização de eleições livres e supervisionadas por observadores internacionais”.
“O povo da Venezuela sofreu o suficiente. Hoje começa um novo capítulo: um governo provisório livre de ditadores e cartéis”, disse o presidente em discurso transmitido em rede mundial.
A Casa Branca informou que o comando civil temporário será coordenado pelo Departamento de Estado e pelo Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, com sede em Miami. O plano prevê estabilização institucional, reativação econômica e restabelecimento de serviços essenciais, com apoio logístico da ONU e da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Reações internacionais
A decisão provocou forte repercussão. Governos de Brasil, México, Colômbia e Chile — que já haviam condenado os ataques americanos — consideraram o anúncio uma violação direta à soberania venezuelana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que “nenhum país tem o direito de administrar outro, mesmo sob o pretexto da democracia”.
A União Europeia adotou tom cauteloso, pedindo garantias de que o processo de transição será conduzido por civis venezuelanos e dentro do direito internacional. Já Rússia, China e Irã condenaram veementemente a decisão, chamando-a de “ocupação ilegal disfarçada de transição”.
Reações internas
Dentro da Venezuela, setores da oposição comemoraram o anúncio, enquanto militares remanescentes do chavismo prometeram “resistência total à ocupação estrangeira”. Em Caracas, relatos de confrontos isolados e saques levaram o comando americano a declarar toque de recolher em áreas estratégicas, como o centro administrativo e a zona petrolífera de Maracaibo.
O líder opositor Leopoldo López, exilado em Madri, saudou a medida como “um passo histórico para restaurar a democracia” e prometeu colaborar com o conselho de transição.
Próximos passos
Trump prometeu eleições livres “dentro de seis meses”, supervisionadas por organismos internacionais. No entanto, analistas apontam que a presença prolongada de forças americanas no país pode acentuar divisões políticas internas e tensões regionais.
“É o maior desafio à soberania latino-americana desde o Panamá, em 1989”, afirmou a pesquisadora colombiana Adriana Pineda, especialista em geopolítica.
Com o anúncio deste sábado, os EUA assumem o controle de fato sobre um país latino-americano pela primeira vez em mais de três décadas, marcando o início de uma nova e incerta etapa na história venezuelana e nas relações hemisféricas.