Trump anuncia que empresa americana administrará o petróleo da Venezuela durante governo de transição

· 2 min de leitura
Trump anuncia que empresa americana administrará o petróleo da Venezuela durante governo de transição

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (3) que uma empresa americana será responsável pela administração e exploração provisória do setor petrolífero da Venezuela, durante o período em que Washington exercerá o controle político e institucional do país. A medida faz parte do plano de “reconstrução econômica e democratização” apresentado após a captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores.

Administração temporária dos recursos

Segundo Trump, a decisão visa “garantir que o petróleo venezuelano volte a servir ao povo e não aos cartéis e corruptos”. O governo americano confirmou que a empresa ExxonMobil, uma das maiores do setor energético mundial, assumirá gestão técnica e comercial temporária da PDVSA (Petróleos de Venezuela S.A.), a estatal venezuelana de petróleo, sob supervisão direta do Departamento de Energia dos EUA.

“O petróleo da Venezuela pertencerá novamente ao seu povo, e não a uma ditadura socialista”, declarou Trump durante coletiva na Casa Branca.

De acordo com o plano divulgado, a ExxonMobil deverá manter a produção ativa dos principais campos petrolíferos, especialmente na Faixa do Orinoco, e redirecionar parte das receitas para um fundo internacional de reconstrução venezuelana, administrado em parceria com a OEA e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Críticas e acusações de exploração

A decisão provocou críticas imediatas de diversos governos e especialistas em direito internacional, que acusaram os EUA de apropriação indevida de recursos estratégicos de um Estado soberano. O chanceler brasileiro Mauro Vieira afirmou que a medida “excede qualquer justificativa humanitária e cria um precedente perigoso de controle econômico externo”.
Governos de México, Colômbia, Chile, Rússia, China e Irã emitiram notas semelhantes, denunciando a ação como “saque legalizado” e “colonialismo disfarçado de transição”.

Na Europa, a Comissão Europeia pediu esclarecimentos a Washington sobre a base legal da medida e alertou que qualquer reestruturação de ativos estratégicos deve respeitar o direito internacional público e os princípios de soberania nacional.

Repercussões internas

Dentro da Venezuela, o anúncio gerou reações divididas. Parte da oposição comemorou, dizendo que o envolvimento americano poderá reerguer a infraestrutura energética devastada após anos de má gestão e corrupção.
Já ex-funcionários da PDVSA e sindicatos do setor classificaram a medida como “ocupação econômica”, afirmando que ativos nacionais estão sendo entregues a interesses estrangeiros.

“Os Estados Unidos não estão libertando o país, estão se apoderando do nosso petróleo”, declarou Eulogio del Pino, ex-presidente da estatal.

Impactos geopolíticos

A exploração do petróleo venezuelano sob comando americano reacende tensões históricas na América Latina. Especialistas em energia alertam que o controle direto de uma potência estrangeira sobre o principal recurso econômico de um país latino-americano pode gerar instabilidade política e resistência armada interna.

“O petróleo sempre foi o símbolo da soberania venezuelana. Entregá-lo a uma empresa estrangeira, ainda que provisoriamente, terá custos políticos enormes”, avaliou o analista colombiano Rafael Martínez, do Instituto Andino de Estudos Geoestratégicos.

Com a medida, os EUA passam a exercer controle não apenas político, mas também econômico e energético sobre a Venezuela, marcando um dos episódios mais controversos de sua política externa no século XXI — e reacendendo o debate global sobre os limites da intervenção sob o pretexto de reconstrução democrática.