Tarifas de importações mais altas no México e na China pressionam exportações brasileiras

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Tarifas de importações mais altas no México e na China pressionam exportações brasileiras

Em um cenário de crescente protecionismo comercial global, Brasil enfrenta novo desafio nas relações exteriores após ampliação de tarifas pelo México e implementação de medidas alfandegárias pela China. Especialistas e autoridades alertam para impactos significativos sobre exportadores brasileiros já no início de 2026.

Recentes mudanças em políticas comerciais no México e na China — dois importantes mercados para produtos brasileiros — estão gerando preocupação em setores produtivos e no governo, que agora avalia estratégias para mitigar possíveis perdas.

México eleva tarifas e ameaça fatia relevante das exportações brasileiras

O Congresso mexicano aprovou um pacote tarifário que eleva as tarifas de importação sobre mais de 1,4 mil produtos de países com os quais não possui acordo de livre comércio — entre eles Brasil e China. A medida, aprovada em dezembro de 2025 e em vigor desde 1º de janeiro de 2026, prevê taxas médias entre 20% e 35%, podendo atingir até 50% em determinados itens.

Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de US$1,7 bilhão das exportações brasileiras ao México — cerca de 14,7% do total exportado no ano passado — podem ser impactados negativamente. Boa parte desses produtos são bens intermediários usados na indústria mexicana, como autopeças, químicos, metalurgia, plásticos e borracha.

Essa elevação tarifária pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado mexicano, tornando-os mais caros frente à concorrência local e de outros fornecedores com acordos comerciais preferenciais.

O governo brasileiro declarou que acompanha o tema com atenção, aguardando a publicação e os detalhes finais da legislação para quantificar impactos e buscar soluções diplomáticas ou comerciais.

China endurece cobrança de tarifas em produtos estratégicos — risco maior para setor agrícola e de commodities

Simultaneamente, a China anunciou tarifas adicionais de até 55% sobre importações de carne bovina que excedam cotas estabelecidas para 2026, medida que deverá vigorar pelos próximos três anos e visa proteger a indústria doméstica.

Essa regra afeta diretamente o principal destino da carne bovina brasileira — que já representou mais de 1,3 milhão de toneladas exportadas da commodity no ano anterior — e pode reduzir volumes embarcados caso as exportações ultrapassem as cotas tarifárias.

Embora Brasil e China não estejam em guerra comercial direta, essa elevação tarifária significa um novo custo a ser considerado pelos exportadores brasileiros, sobretudo em mercados agrícolas e de proteínas animais, segmentos nos quais o País tem forte participação global.

Repercussões econômicas e empresariais

Economistas consultados ressaltam que o efeito dessas medidas pode ser mais amplo que a simples redução de volume exportado:

  • Pressão sobre cadeias produtivas: tarifas mais altas no México podem encarecer insumos brasileiros usados na produção local, afetando a competitividade frente a produtores de outros países.
  • Necessidade de diversificação: exportadores brasileiros podem ser forçados a buscar novos mercados ou redirecionar comércio para destinos com acordos mais favoráveis, o que demanda tempo, investimentos e negociações diplomáticas.
  • Impacto setorial desigual: setores como automotivo, têxtil, siderúrgico, móveis e calçados estão entre os mais expostos às novas tarifas mexicanas, enquanto na China o foco nas exportações agrícolas pode afetar principais commodities brasileiras.

Contexto internacional e próximos passos

A intensificação de tarifas por parte de México e China ocorre em meio a um cenário global de maior protecionismo, impulsionado por pressões políticas e revisões de tratados de comércio — como o USMCA (tratado entre Estados Unidos, México e Canadá) — e tensões entre grandes economias.

No Brasil, autoridades já discutem medidas compensatórias, possíveis renegociações de acordos e estímulos para setores exportadores. A agenda comercial prioritária inclui acelerar negociações de acordos preferenciais com outros blocos e reforçar parcerias estratégicas em mercados alternativos.

O aumento de barreiras tarifárias no México e China tende a representar um teste para a resiliência do comércio exterior brasileiro em 2026. A magnitude dos efeitos dependerá não apenas das respostas governamentais, mas também da capacidade das empresas de adaptar suas estratégias de mercado diante de um ambiente internacional mais competitivo e protecionista.