Sucessão presidencial na Venezuela: o que diz a Constituição e como funcionaria em diferentes cenários

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Sucessão presidencial na Venezuela: o que diz a Constituição e como funcionaria em diferentes cenários

A Constituição da Venezuela, promulgada em 1999 e ainda em vigor, estabelece regras específicas para a sucessão da Presidência da República, com dois mecanismos principais dependendo da natureza da ausência do mandatário.

1. Artigo 233 — Ausência absoluta do presidente

O Artigo 233 define quando a ausência do presidente é considerada “absoluta” e quais são as consequências:

O que é “ausência absoluta”? Ela ocorre em casos como:

  • morte;
  • renúncia;
  • destituição por decisão judicial;
  • incapacidade física ou mental permanente devidamente certificada;
  • abandono do cargo declarado pela Assembleia Nacional;
  • revogação popular do mandato via referendo.

O que acontece nesse caso?

  • Se a ausência absoluta ocorrer antes da posse, deve ser convocada uma nova eleição presidencial em até 30 dias — com a presidência interinamente assumida pelo presidente da Assembleia Nacional.
  • Se ocorrer durante os primeiros quatro anos de mandato, uma nova eleição também é convocada em até 30 dias e, até lá, o vice-presidente executivo assume interinamente.
  • Se isso acontecer nos últimos dois anos do mandato constitucional, o vice-presidente executivo assume a Presidência até o fim do mandato, sem necessidade de nova eleição.

Ou seja, em qualquer caso de vacância definitiva — morte, renúncia etc. — a Constituição prevê com clareza um prazo de até 30 dias para uma eleição direta e universal, salvo quando a ausência ocorre nos dois últimos anos do mandato.

2. Artigo 234 — Ausência temporária do presidente

O Artigo 234 trata de situações em que o presidente está temporariamente indisponível para exercer suas funções, sem caracterizar vacância absoluta:

Como funciona?

  • O presidente é substituído pelo vice-presidente executivo por até 90 dias.
  • Esse prazo pode ser estendido por mais 90 dias por decisão da Assembleia Nacional.
  • Se a ausência temporária ultrapassar esses prazos e continuar, a Assembleia pode, por maioria de votos, decidir se ela deve ser considerada absoluta — o que então acionaria o Artigo 233 e a convocação de eleições.

Ou seja, ausência temporária não conduz automaticamente a eleições, mas pode evoluir para uma ausência absoluta se prolongada e decidida como tal pela Assembleia Nacional.

Como isso se aplica à situação atual?

Atualmente (início de 2026), a Justiça venezuelana e autoridades políticas ainda não declararam formalmente que exista uma ausência absoluta do presidente Nicolás Maduro — mesmo com a sua captura em uma operação militar, segundo relatos recentes —, por isso a Constituição não acionou automaticamente o prazo de 30 dias para eleições.

Analistas constitucionais destacam que a própria lei não prevê expressamente o caso de um presidente removido ou detido por forças estrangeiras — um ponto que deixa o quadro institucional em zona de dúvidas e que depende de decisões internas dos poderes políticos venezuelanos.

Resumo dos mecanismos constitucionais

Tipo de ausênciaSubstituição imediataEleição obrigatória?Prazo
Ausência absoluta (Art. 233)Presidente da Assembleia ou vice, dependendo do momento✔️ SimAté 30 dias após declaração
Ausência temporária (Art. 234)Vice-presidente❌ NãoAté 90 dias + 90 dias estendíveis