STF x Banco Master: Moraes vira alvo de CPI e desgaste ultrapassa o bolsonarismo

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STF x Banco Master: Moraes vira alvo de CPI e desgaste ultrapassa o bolsonarismo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se alvo de uma iniciativa inédita no Congresso: uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta para apurar sua relação com o Banco Master e possíveis conflitos de interesse, numa ofensiva que ultrapassa o tradicional bolsonarismo e amplia a tensão entre o Legislativo e o Judiciário em ano eleitoral.

A CPI está sendo articulada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), representante de centro, que rompe com o espectro extremista ao endossar uma investigação sobre um suposto crime de advocacia administrativa, ou seja, uso do cargo para beneficiar terceiros. A suspeita central é de que Moraes, em favor do Banco Master, teria atuado em benefício indireto do cliente do escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes — contratada pelo banco por um valor estimado em R$ 129 milhões.

A origem da controvérsia remonta à operação Compliance Zero que revelou fraudes bilionárias no Banco Master, levando à liquidação da instituição pelo Banco Central e à prisão do empresário Daniel Vorcaro. A reportagem de Malu Gaspar, do jornal O Globo, apontou que Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em pelo menos quatro ocasiões para tratar de matérias relacionadas ao Master — informação que motivou pedidos de impeachment e a proposta de CPI no Senado.

Moraes divulgou nota oficial afirmando que os encontros com Galípolo e outras autoridades do setor financeiro tinham como pauta a Lei Magnitsky, aplicada pelos Estados Unidos contra ele e sua família, e não o Banco Master. O ministro negou ter tratado de qualquer tema relacionado à aquisição do banco pelo BRB (Banco de Brasília) ou de pressionado o presidente do BC em favor do Master.

O desdobramento político, no entanto, mostra um cenário complexo: pedido de impeachment foi protocolado por senadores de direita, e a CPI de Vieira testa os limites constitucionais de investigação sobre um magistrado do STF — uma fronteira que tradicionalmente é resguardada para evitar conflito entre poderes.

Parlamentares do centrão são pragmáticos quanto à iniciativa, já que muitos têm relações com o próprio Banco Master, o que pode frear o avanço da CPI. Ainda assim, a coleta de assinaturas não deverá ser difícil, dado o clima político tenso e a ampla repercussão do caso em Brasília.

O episódio evidencia que, mesmo além da polarização bolsonarista, a figura de Moraes está no centro de um debate institucional sobre ética, separação de poderes e limites de atuação de autoridades públicas em relações com o setor privado.