Setor produtivo brasileiro enfrenta risco de recordes em recuperação judicial e falências em 2026

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Setor produtivo brasileiro enfrenta risco de recordes em recuperação judicial e falências em 2026

O setor produtivo brasileiro deve enfrentar um aumento histórico no número de pedidos de recuperação judicial e falências de empresas em 2026, mesmo com a expectativa de redução gradual da taxa básica de juros (Selic), apontam analistas e relatórios econômicos. A combinação de juros ainda elevados, retração do crédito bancário e a incerteza política decorrente do ano eleitoral cria um ambiente de grave crise de liquidez para companhias de todos os portes.

De acordo com projeções baseadas no último Boletim Focus do Banco Central, o mercado financeiro projeta que a Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, abaixo dos atuais 15%, mas ainda em patamar considerado alto para estimular investimentos e aliviar o custo do crédito corporativo.

Especialistas destacam que a alta persistente dos juros corrói o caixa das empresas, tornando mais cara a rolagem de dívidas e aumentando a probabilidade de insolvência. A consultoria RGF & Associados registrou que o número de empresas sob recuperação judicial chegou a um patamar recorde em 2025, com mais de 5.200 casos, um aumento de cerca de 20% desde o início do ciclo de altas do BC.

O impacto não se restringe aos juros: a restrição de crédito imposta pelos bancos, que aumentam exigências de garantia e encurtam prazos de concessão, agrava ainda mais o quadro, dificultando que empresas em dificuldades encontrem “dinheiro novo” para reestruturar suas atividades.

O contexto eleitoral de 2026 também joga um papel importante. Instituições financeiras tendem a adotar postura defensiva em anos de eleição, reduzindo a oferta de crédito por conta das incertezas sobre políticas fiscais e econômicas futuras — o que pode elevar ainda mais o número de insolvências.

Setores antes considerados resilientes, como o agronegócio, já vêm registrando taxas de recuperação judicial superiores à média, pressionados por condições climáticas adversas, preços de commodities em queda e altos níveis de endividamento.

As micro e pequenas empresas, que respondem por uma grande parcela dos pedidos de recuperação judicial, também enfrentam um ambiente hostil: baixa margem de caixa, consumo retraído e incapacidade de acessar crédito barato.

Outro indicador preocupante é o aumento no percentual de empresas que saem da recuperação judicial para a falência, sugerindo que muitos pedidos chegam tarde demais, quando a companhia já não dispõe de ativos suficientes para garantir novos empréstimos e viabilizar a reestruturação.

Além disso, a transição da reforma tributária, prevista para começar em 2026, adiciona complexidade ao ambiente empresarial, com custos de adaptação que podem consumir ainda mais o caixa das companhias em dificuldades.

Diante desse cenário, economistas e consultores alertam que agilidade na gestão financeira e diagnósticos precoces de crise serão essenciais para que empresas viáveis sobrevivam. Adiar decisões estratégicas pode significar a diferença entre a recuperação e a falência definitiva em um ano que promete testar a resistência do setor produtivo brasileiro.