Roberta Moreira Luchsinger é uma empresária, lobista e figura central nas investigações da Operação “Sem Desconto”, a apuração da Polícia Federal (PF) sobre um esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que tem mobilizado autoridades e o Congresso Nacional em 2025 e 2026.
Luchsinger é herdeira de uma família financeira ligada à fundação do Credit Suisse — seu avô foi o banqueiro suíço Peter Paul Arnold Luchsinger — e já atuou como lobista e diretora de relações institucionais de empresas ligadas à saúde e tecnologia.
Ela ganhou notoriedade recentemente por ser considerada um dos elos entre o lobista investigado Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” — apontado pela PF como um dos articuladores do esquema de fraudes — e Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho mais velho do presidente Lula. Um dos documentos apreendidos pela PF citou Lulinha em uma agenda junto a Roberta em anotações relacionadas à investigação.
Na nova fase da operação, Roberta também foi alvo de mandados de busca e apreensão e recebeu medidas cautelares como monitoramento eletrônico e entrega de passaporte, por determinação da Justiça. Segundo fontes do O Povo, a PF identificou repasses financeiros de cerca de R$ 1,5 milhão, feitos em cinco parcelas de R$ 300 mil, de uma consultoria ligada ao Careca do INSS à empresa de Roberta, que pode ser parte das tentativas de ocultar recursos.
Além disso, matérias jornalísticas indicam que Roberta e Lulinha viajaram juntos pelo menos seis vezes entre 2024 e 2025, com bilhetes emitidos sob códigos de reserva compartilhados, o que investigados interpretam como sinal de proximidade pessoal.
Roberta chegou a concorrer a cargo político pelo PT em São Paulo em 2018 e já prometeu apoio financeiro a figuras do partido em momentos de crise jurídica, o que aumenta o interesse público sobre seu papel nas investigações.
Embora sua defesa tenha declarado que ela nunca se envolveu diretamente com descontos indevidos no INSS e que seus serviços eram de “prospecção e intermediação de negócios” na regulação de setores como canabidiol, sua presença nos autos e nas apurações da CPMI do INSS coloca Roberta no centro de um dos mais complexos e sensíveis casos envolvendo política, investigação federal e possível influência de interesses privados sobre setores públicos.