O primeiro ano da administração da prefeita Flávia Moretti (PL) e do vice-prefeito Tião da Zaeli (PL), em Várzea Grande (MT), foi caracterizado por fortes desafios orçamentários herdados da gestão anterior, além de atritos políticos, reformulações no secretariado e disputas judiciais e administrativas. Moretti e Zaeli tomaram posse em 1.º de janeiro de 2025, prometendo priorizar serviços essenciais como abastecimento de água e a saúde pública, áreas sensíveis para a população da segunda maior cidade de Mato Grosso.
Um dos maiores obstáculos enfrentados pela nova gestão foi o volume de restos a pagar deixado pela administração do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB). Ao assumir, Moretti relatou um montante que “beirava os R$ 160 milhões” em compromissos pendentes, um cenário que supriu gravemente a expectativa inicial da equipe econômica municipal e restringiu a margem fiscal para novas ações. Ao longo do ano, parte dessa dívida começou a ser paga: em menos de um ano de governo, cerca de R$ 80 milhões já haviam sido quitados, segundo a prefeita.
O receio com a sustentabilidade das contas públicas foi reforçado pela constatação de passivos relevantes, incluindo precatórios que ultrapassam R$ 700 milhões, além de ações judiciais antigas que ainda tramitam, o que, segundo Moretti, compõe um passivo total que ultrapassa R$ 1 bilhão — uma situação que dificulta soluções rápidas ou expansões de programas em curto prazo.
Politicamente, o início de gestão também foi tenso: houve atratos públicos entre a prefeita e líderes e ex-lideranças locais nos primeiros meses, refletindo divergências sobre o tamanho da dívida e a responsabilidade pela crise financeira. Com o tempo, entretanto, Moretti e Tião da Zaeli conseguiram “fazer as pazes” com algumas figuras políticas chave, buscando estabilizar a base de apoio no Legislativo e em setores influentes da sociedade local.
Ao longo de 2025, a prefeita promoveu reformulações no secretariado municipal como forma de reorganizar a administração e ajustar prioridades, além de enfrentar críticas e embates públicos com o ex-gestor Kalil Baracat, que contestou números e dados apresentados sobre as finanças municipais.
O quadro financeiro complexo encontrado pela gestão atual reflete tendências observadas em muitas administrações municipais brasileiras, em que novos prefeitos assumem dívidas significativas e restos a pagar elevados, exigindo ações de ajuste fiscal, cortes de despesas e negociação com credores para recuperar a saúde orçamentária.
No balanço de fim de ano, apesar dos obstáculos, a administração de Flávia Moretti aponta progressos na quitação de parte das dívidas e na reorganização administrativa em Várzea Grande, ao mesmo tempo em que se prepara para os desafios de 2026, incluindo a demanda por serviços públicos de qualidade e a manutenção do equilíbrio fiscal.