Em meio à articulação para a eleição ao governo de Mato Grosso em 2026, o deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) minimizou a força política atribuída ao atual governador Mauro Mendes (União Brasil), afirmando que a alta aprovação do gestor — estimada em cerca de 75% — não se traduz automaticamente em votos para quem ele apoiar. A declaração do parlamentar reacende o debate sobre sucessão e estratégias eleitorais no Estado.
Questionado pela imprensa na Assembleia Legislativa de Mato Grosso na última semana, Júlio Campos disse que o “prestígio pessoal” do governador não transfere mais do que 20% dos votos, seja para quem for — uma avaliação que reduz o peso de Mendes no pleito sucessório e desafia análises que consideram seu desempenho como trunfo eleitoral.
A fala do deputado ocorre em um momento em que as pesquisas eleitorais mostram um quadro relativamente competitivo entre os principais pré-candidatos ao Palácio Paiaguás, com nomes como o senador Wellington Fagundes (PL), o próprio Jayme Campos (União Brasil) — apoiado por Júlio — e o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) em posições próximas nas intenções de voto.
Júlio Campos destacou que, “daqui para frente, vai valer quem tiver mais aliados, mais companheiros e quem conquistar a simpatia do eleitor”, indicando que as alianças partidárias e a construção de identidade própria serão determinantes no processo.
Questionado sobre sua relação com Pivetta, o parlamentar disse que esta é “nada pessoal”, ressaltando que cada partido busca seus interesses. Ele defendeu a candidatura do irmão, senador Jayme Campos, e afirmou que seu grupo político pretende disputar cargos também para senador, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa — alerta para o risco de redução da bancada caso não haja candidaturas próprias.
Analistas políticos ouvidos por veículos locais observam que, apesar da popularidade de Mendes, o cenário eleitoral de Mato Grosso em 2026 ainda é fluido, e a transferência de votos permanece uma variável incerta, dependente do desempenho dos pré-candidatos e das negociações nos próximos meses.
A declaração de Júlio Campos reflete, portanto, uma estratégia de relativizar o peso de Mendes e impulsionar a própria base política, enquanto a corrida pelo Palácio Paiaguás começa a se desenhar oficialmente entre as forças partidárias no Estado.