Um cardápio exibido por ambulantes na faixa de areia de Porto de Galinhas, um dos destinos turísticos mais famosos do Brasil, voltou a gerar indignação nas redes sociais e entre turistas. Os valores chamam atenção: filé de peixe por R$ 470 e seis pastéis por R$ 150, preços considerados muito acima da média e que reacendem denúncias de abusos, extorsão e ausência de fiscalização adequada nas praias brasileiras.
As imagens do cardápio circularam amplamente nos últimos dias e provocaram questionamentos sobre a prática recorrente de cobranças sem transparência, especialmente contra turistas que desconhecem os valores locais ou são abordados de forma insistente por vendedores informais. Entidades de defesa do consumidor alertam que a prática pode configurar infração ao Código de Defesa do Consumidor, sobretudo quando não há clareza sobre preços, pesos, porções ou formas de pagamento.
Além da questão econômica, o episódio reacende um debate mais amplo sobre a regularização do comércio ambulante nas praias, que envolve não apenas preços, mas também licenças, condições sanitárias e segurança alimentar. Em muitos municípios litorâneos, parte dos vendedores atua sem autorização formal, sem fiscalização contínua e sem comprovação de boas práticas de higiene no manuseio de alimentos, o que representa risco à saúde pública.
Especialistas em vigilância sanitária alertam que alimentos preparados e armazenados em condições inadequadas, sob sol intenso e sem refrigeração adequada, podem facilitar a proliferação de bactérias e causar intoxicações alimentares. O risco aumenta em períodos de alta temporada, quando o fluxo de turistas cresce e a demanda por refeições rápidas na areia se intensifica.
Prefeituras e órgãos de fiscalização afirmam que realizam ações periódicas, mas reconhecem dificuldades para controlar toda a extensão das praias e o grande número de ambulantes. Para o setor de turismo, episódios como esse afetam a imagem dos destinos brasileiros, afastam visitantes e prejudicam comerciantes regulares que cumprem regras e pagam impostos.
O caso de Porto de Galinhas reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes, com fiscalização contínua, padronização de preços, exigência de licenças e educação sanitária. Sem isso, práticas abusivas tendem a se repetir, comprometendo a experiência do turista e a segurança dos consumidores nas praias do país.