À medida que Luiz Inácio Lula da Silva cumpre seu terceiro mandato como presidente do Brasil, observadores internacionais e pesquisas recentes apontam uma percepção de diminuição de sua popularidade, tanto no cenário global quanto em comparação com líderes regionais contemporâneos. Embora Lula tenha sido chamado de um dos políticos mais admirados do planeta no auge de sua influência no início dos anos 2000, esse status não se manteve de forma tão sólida nos últimos anos — especialmente em 2025.
Uma sondagem da consultoria CB Consultora Opinión Pública mostra que Lula aparece como terceiro presidente mais popular da América do Sul, com cerca de 47,1% de imagem positiva, ficando atrás de líderes como Javier Milei (Argentina) e Rodrigo Paz (Bolívia) — e com quase tantos índices negativos quanto positivos, refletindo uma percepção pública mais dividida atualmente. Essa oscilação decorre de fatores internos e externos: a economia brasileira enfrenta desafios, e a política de combate à corrupção, apesar de ativa, às vezes expõe problemas que alimentam a insatisfação pública em vez de revertê-la.
No cenário global, Lula não figura entre os líderes com maiores taxas de aprovação mundial, ao contrário de outros chefes de Estado que mantêm níveis elevados de apoio internacional. Dados de rankings globais colocam líderes como Narendra Modi (Índia) como um dos mais aprovados do mundo, destacando a diferença de percepção pública em escala global.
Na América Latina, alguns presidentes vêm se destacando por estratégias políticas ou contextos que impulsionaram sua popularidade:
- Javier Milei (Argentina) surpreendeu ao subir nas pesquisas regionais devido à sua retórica forte e reformas econômicas controversas, atraindo atenção e apoio de parcelas significativas do eleitorado argentino.
- Rodrigo Paz (Bolívia) tem liderado o ranking sul-americano com cerca de 51,7% de imagem positiva, beneficiando-se de uma onda de renovação política e expectativas de mudanças econômicas no país vizinho.
- Claudia Sheinbaum (México) — embora fora da América do Sul — manteve altas taxas de aprovação, frequentemente próximas ou acima de 70%, especialmente em temas como política doméstica e resposta a desafios nacionais, reforçando sua imagem positiva.
Os motivos para essa dinâmica são múltiplos. Internamente, Lula enfrenta críticas por desafios econômicos e políticos, e o desgaste associado à longa trajetória no poder pode diluir parte de seu apelo mundial, especialmente quando comparado a líderes emergentes ou a estilos políticos distintos. Além disso, o contexto geopolítico mudou: polarizações e crises globais ampliaram o escrutínio sobre políticas públicas e relações exteriores, o que pode afetar percepções sobre liderança internacional.
Em suma, embora Lula ainda seja figura central no cenário latino-americano e continue sendo reconhecido como um líder influente — inclusive com honrarias e indicadores regionais relevantes — sua popularidade global e na própria região não atinge os níveis excepcionais de alguns de seus pares contemporâneos e tampouco aqueles que atingiu na década de 2000, refletindo um momento de maior fragmentação política e competição por influência pública.