Por que os números da última pesquisa do Datafolha preocupam Lula

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Por que os números da última pesquisa do Datafolha preocupam Lula

1. Perspectiva eleitoral desfavorável

A pesquisa divulgada no final de dezembro de 2025 mostra que, quando questionados sobre autoidentificação ideológica, 46% dos brasileiros se colocam entre a direita e a centro-direita, enquanto 29% se situam entre a esquerda e a centro-esquerda.

Esse quadro indica que, apesar de o PT ainda ter maior “identificação partidária” (por exemplo, mais entrevistados se declararam petistas do que bolsonaristas em outro recorte do levantamento), o terreno ideológico mais amplo favorece conceitualmente posições à direita do que à esquerda — um desafio natural para qualquer governo que se identifica com pautas progressistas.

Para Lula, que busca a reeleição em 2026, isso pode significar que não basta contar com a base tradicional da esquerda: será preciso ampliar apoio em setores mais centristas e até junto a eleitores que se veem como de direita, especialmente porque esse grupo representa uma fatia maior do eleitorado conforme a metodologia de autodeclaração ideológica.

2. Sinal de polarização e fragmentação

A pesquisa também revela que muitos brasileiros entrevistados não se alinham de forma rígida a um polo definido — o que pode ser interpretado de duas formas:

  • Polarização mais ampla: o debate político entre direita e esquerda está mais acirrado, com identidade ideológica sendo um fator central no ciclo eleitoral.
  • Desalinhamento ideológico real: grande parte dos eleitores pode não ter uma compreensão clara dos termos “direita” e “esquerda”, ou pode misturá-los com valores culturais, sociais e econômicos diversos, o que torna os números aparentes menos diretos do que parecem.

Esse tipo de cenário favorabiliza narrativas de oposição e dificulta a consolidação de uma base estável de apoio ideológico ao governo, o que pode se refletir em desempenho eleitoral e na aprovação de pautas no Congresso.

3. Desafio para a imagem presidencial

Mesmo que Lula tenha alto reconhecimento e identificação partidária (por exemplo, como petista em recortes da pesquisa), a predominância de autodeclarações à direita significa que muita gente pode não se ver representada por pautas tradicionalmente associadas à esquerda, como maior intervenção do Estado em determinados setores ou políticas sociais expansivas.

Isso coloca o presidente numa posição complexa:
✔️ Precisa manter sua base tradicional de petistas e esquerdistas;
✔️ Ao mesmo tempo, tem de dialogar com eleitores que se veem como centristas ou de direita, muitas vezes mais sensíveis a temas como segurança pública, economia liberal ou conservadorismo cultural.

Essa necessidade de “reconquistar centro e direita” pode diluir a mensagem ideológica do governo e criar desafios estratégicos para a próxima eleição presidencial.

4. Implicações para Lula 2026

Os números de 46% à direita/centro-direita x 29% à esquerda/centro-esquerda sugerem que a maioria do eleitorado se encontra em uma posição ideológica menos alinhada com as pautas clássicas da esquerda — mesmo que a identificação partidária possa ser distinta.

Isso preocupa Lula e sua equipe porque, em um processo competitivo como uma eleição presidencial, captar eleitores fora da base tradicional é decisivo — especialmente quando o eleitorado de centro e direita tende a apoiar alternativas mais conservadoras ou de oposição.

Resumo dos fatores que geram preocupação para Lula

📍 Predominância numérica de eleitores que se autoidentificam à direita/centro-direita;
📍 Necessidade de ampliar apoio além da base petista;
📍 Polarização intensa e fragmentação ideológica do eleitorado;
📍 Risco de que pautas progressistas não ressoem com a maior parte dos eleitores autodeclarados.