Em dezembro de 2025, o empresário Fábio Luís Lula da Silva — o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transferiu a administração de três de suas empresas para sua esposa, Renata de Abreu Moreira, em meio a um período de forte escrutínio político e jurídico que incluiu citações ao seu nome nas investigações sobre fraudes no INSS.
O que foi alterado
Nos dias 1º e 10 de dezembro, Lulinha solicitou à Junta Comercial de São Paulo a nomeação de sua esposa como administradora das empresas G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, BR4 Participações e outras associadas, e as mudanças foram processadas oficialmente entre os dias 10 e 11 de dezembro. Como administradora, Renata ganhou poderes para representar legalmente as empresas, movimentar contas bancárias, comprar e vender bens, e responde individualmente por elas na Justiça.
Motivações e explicações
Fontes ouvidas por veículos que cobriram as mudanças ressaltam que a alteração pode ter sido estratégica e administrativa, facilitando a operação profissional das empresas em um momento em que o nome de Lulinha passou a ser alvo de atenção pública e política. Especialistas em direito societário explicam que a nomeação de um administrador distinto do sócio-único é uma prática comum para conferir maior fluidez à gestão e evitar entraves operacionais — especialmente quando o proprietário principal enfrenta desafios externos à rotina empresarial.
Oficialmente, Lulinha não foi formalmente investigado pela Polícia Federal no caso INSS, embora seu nome tenha sido citado em documentações e relatórios da CPMI do INSS e em despachos judiciais ligados à investigação.
Contexto político e legal
A mudança ocorreu em um momento em que o nome de Lulinha surgiu nos autos da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes e descontos indevidos de benefícios previdenciários. Depoimentos e documentos revelados à CPMI sugeriram menções ao filho do presidente em anotações da investigação, ainda sem confirmação de participação direta dele no esquema.
Analistas ouvidos por veículos de notícias lembram que transferências administrativas ou societárias são medidas lícitas, desde que respeitem a legislação corporativa, e podem ocorrer por razões estratégicas, fiscais ou operacionais — vetor reforçado por advogados consultados que indicam que Lulinha ainda detém a titularidade societária, mas delegou funções executivas à esposa.
Posicionamento da defesa
Até o momento, não houve manifestação pública oficial de Lulinha ou de sua esposa sobre a alteração societária. Advogados próximos a ele relataram que a mudança teria caráter burocrático e operacional, sem relação com impedimentos legais ou investigações em curso, e que a gestão empresarial estaria sendo reorganizada para facilitar o dia a dia das empresas no ambiente de negócios atual.
Em síntese, a transferência das empresas para a administração da esposa pode ser vista como uma medida prática de gestão diante de um período em que a figura de Lulinha se tornou mais visível no debate público e político, sem que isso implique, por si só, qualquer admissão de irregularidade.