A recente política fiscal brasileira — marcada por mudanças tributárias, aumento da carga sobre algumas rendas e debates sobre reformas — tem sido vista como uma oportunidade estratégica para o Paraguai atrair investimentos, empresas e até residentes brasileiros, de acordo com análises da imprensa local e especialistas no tema.
Reportagens tanto no Brasil quanto em veículos paraguaios destacam que a carga tributária no Brasil segue alta e complexa, enquanto o Paraguai mantém um ambiente fiscal mais simples e competitivo, com impostos menores e mecanismos atrativos para negócios. Segundo El Nacional, as mudanças no sistema brasileiro — como a taxação progressiva de renda e propostas de novos tributos a partir de 2026 — têm motivado empresários e pessoas físicas a buscar alternativas fiscais fora do país.
O Paraguai estabeleceu políticas estáveis, com sem previsão de aumento de impostos até 2028, segundo autoridades tributárias locais, o que reforça a confiança de investidores. Além disso, regimes como o de maquila, que permite exportações com taxa única reduzida, já impulsionaram as exportações para o Brasil acima de US$ 1 bilhão em 2025, evidenciando o impacto das decisões fiscais brasileiras na economia paraguaia.
Especialistas em planejamento tributário observam que Paraguai tem uma carga tributária menor que o Brasil — cerca de 18 % do PIB contra mais de 30 % no Brasil — e um sistema menos burocrático, atraindo empresas em busca de competitividade e custos menores. Isso tem gerado um aumento de brasileiros que solicitam residência fiscal no Paraguai, em muitos casos em busca de economia tributária significativa.
Enquanto isso, relatórios internacionais enfatizam que a elevada carga tributária e a burocracia brasileira pesam sobre a competitividade das empresas, incentivando decisões de realocação de parte das operações para países vizinhos.
Para analistas, o fenômeno ilustra como a política fiscal de um país pode ter efeitos transfronteiriços, transformando desafios internos em oportunidades econômicas externas, especialmente para vizinhos com regimes mais favoráveis como o Paraguai.