Documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto — que investiga um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS — trouxeram à tona uma anotação que menciona o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A descoberta ocorre em meio à nova fase da operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e deflagrada em 18 de dezembro de 2025.
A menção identificada em uma agenda apreendida na primeira fase da investigação, realizada em abril, contém a referência “Fábio (filho Lula)” ao lado de detalhes sobre credenciais para um camarote em Brasília e referências a um flat no condomínio Brisas do Lago, na capital federal. O documento ligou o nome de Lulinha a textos que supostamente tratam de acessos a eventos e contatos pessoais, mas sem explicação clara sobre o contexto ou implicações diretas.
Além disso, a decisão do STF que autorizou a nova etapa da operação cita diálogos interceptados entre Antônio Carlos Camilo Antunes — conhecido como “Careca do INSS” — e a empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha. Em uma dessas mensagens, Roberta demonstra preocupação com a apreensão de um envelope com o nome de “nosso amigo” no dia de buscas e apreensões, expressão que pode estar relacionada ao filho do presidente, de acordo com a investigação.
As anotações, que incluem também números de CPF e datas sem informações adicionais claras, foram encontradas junto a uma agenda e relatórios que mencionam contatos específicos para retirada de credenciais, embora não haja detalhes precisos sobre o evento ou ligação direta com delitos investigados.
A PF aponta que Roberta Luchsinger teve elevado envolvimento com organizações de fachada e tentativa de ocultação de provas associadas às fraudes no INSS e que ela teria atuado como elo entre o Careca do INSS e Lulinha. Mensagens trocadas sugerem que ela orientou a destruição de telefones para evitar rastreamento de comunicações, de acordo com os documentos analisados até agora.
Até o momento, Fábio Luís não é formalmente investigado ou acusado na operação, e a PF tem mantido que não há indícios suficientes para atribuir participação direta dele no esquema. Defensores próximos afirmam que as citações nas anotações e mensagens não constituem prova e que muitos dos males apontados podem resultar de mal-entendidos ou tentativas de associar o seu nome ao caso sem fundamentos sólidos.
O caso segue sob investigação e deverá evoluir nas próximas fases, à medida que a PF, autorizada pelo STF, aprofunda a coleta de provas e depoimentos sobre as fraudes no INSS.