Relatório sigiloso enviado à Suprema Corte expressa temor de evasão; advogados do filho do presidente afirmam que deslocamentos visam prospecção comercial
A Polícia Federal (PF) enviou um relatório sigiloso ao Supremo Tribunal Federal (STF) manifestando preocupação com um possível risco de fuga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O documento, revelado nesta terça-feira (17 de março de 2026), aponta que o deslocamento do empresário para a Europa, em meio ao avanço da Operação Sem Desconto, poderia indicar uma tentativa de se esquivar da aplicação da lei penal brasileira.
Os Argumentos da Polícia Federal
A suspeita dos investigadores fundamenta-se no histórico recente de viagens de Lulinha à Espanha e a Portugal. Segundo a PF, o empresário possui meios financeiros e conexões internacionais que facilitariam uma permanência prolongada no exterior.
- Conexão com o "Careca do INSS": Relatórios indicam que Lulinha viajou a Madri e Lisboa nas mesmas datas que Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", apontado como operador de um esquema de fraudes na Previdência.
- Empresa de Fachada: A PF investiga se a empresa World Cannabis, utilizada como justificativa para as viagens, serviria na verdade para a lavagem de dinheiro desviado do INSS.
- Medidas Cautelares: O receio de fuga motivou pedidos de quebra de sigilo e o monitoramento mais rigoroso dos passos do empresário, embora ainda não haja um pedido de prisão preventiva formalizado.
A Resposta da Defesa
A defesa de Lulinha negou veementemente qualquer intenção de fuga e classificou o relatório da PF como "especulativo". Em nota e petições enviadas ao ministro André Mendonça, os advogados esclareceram:
- Viagens de Negócios: As idas à Europa teriam como objetivo a prospecção de terrenos e parcerias para uma fábrica de cannabis medicinal, setor no qual o empresário busca atuar.
- Transparência: A defesa afirma que Lulinha sempre esteve à disposição das autoridades e que as viagens foram realizadas com passagens de ida e volta confirmadas.
- Uso Político: Para os advogados, o vazamento de relatórios sigilosos visa criar um desgaste político para o governo Lula às vésperas das eleições, utilizando "manobras de interesse político" disfarçadas de investigação.
Impacto Político
O caso gera forte pressão no Palácio do Planalto. O presidente Lula tem adotado uma postura de distanciamento público, afirmando que "se houver algo, o filho pagará o preço", buscando diferenciar-se da gestão anterior em relação ao tratamento de familiares investigados. No entanto, o avanço da CPMI do INSS e as revelações de movimentações financeiras de R$ 19,5 milhões mantêm o tema no centro do debate em Brasília.