Os "Benefícios” dos deputados do Centrão e da direita para salvar mandato de Glauber Braga

· 2 min de leitura
Os "Benefícios” dos deputados do Centrão e da direita para salvar mandato de Glauber Braga

A articulação política que impediu a cassação do mandato do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) na Câmara dos Deputados no início de dezembro trouxe efeitos concretos para parlamentares do Centrão e de partidos de direita, segundo levantamento divulgado recentemente. A estratégia resultou na substituição da cassação pela suspensão de seis meses, mas também movimentou recursos orçamentários em meio ao fim do exercício fiscal de 2025.

Glauber, que enfrentava processo no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar, acabou não tendo seu mandato cortado após o plenário da Câmara aprovar, em vez disso, a suspensão temporária por seis meses — medida alternativa proposta pelo PT e apoiada em pactos com parlamentares de outros blocos. A votação terminou com 318 votos a favor e 141 contra, consolidando a penalidade mais branda e preservando o mandato do psolista.

As mudanças no comportamento de voto produziram benefícios observáveis em emendas individuais empenhadas pelo governo federal, segundo análise da colunista Andreza Matais. Ela aponta que deputados do Centrão e da direita que votaram a favor de Glauber Braga receberam, em média, cerca de R$ 1,92 milhão em emendas empenhadas desde o dia da votação até o fim de dezembro — valor cerca de 9,8% maior do que o de colegas que votaram contra.

Entre esses parlamentares, integrantes de legendas como MDB, PP, Republicanos e União Brasil se destacaram ao romper com a posição mais rígida padrão de seus grupos políticos e apoiar a manobra que evitou a perda definitiva do mandato.

Apesar de o governo afirmar oficialmente que a execução de emendas individuais é obrigatória por lei e não discrimina favorecimentos, críticos apontam que o ritmo e volume de empenho podem ser estrategicamente articulados no fim do ano para beneficiar aliados políticos em votações estratégicas.

O caso gerou críticas no meio político e na opinião pública, com opositores classificando os votos favoráveis como “traição” a posições ideológicas e reclamando da aparente troca de favores entre Executivo e Legislativo diante de pautas controversas, como a manutenção do mandato de Glauber.

Segundo os dados, deputados que votaram contra o psolista tiveram em média R$ 1,75 milhão em emendas empenhadas no mesmo período, enquanto parlamentares de partidos de esquerda (como PSOL, PT, PCdoB, PDT, PSB e Rede) alcançaram o maior montante: cerca de R$ 3,33 milhões.

A decisão de substituir a cassação por suspensão também reflete a correlação de forças interna na Câmara, em que a esquerda buscou apoio em setores do Centrão e do bloco de centro-direita para evitar a perda definitiva do mandato, diante da ausência de votos necessários (257) para aprovar a cassação.

Com a suspensão de seis meses, o mandato de Glauber Braga será exercido temporariamente pela suplente Heloisa Helena (Rede-RJ) — crítica ao governo e ao próprio PSL — até o término do período de penalização, o que mantém o deputado filiado ao mandato e com possibilidade de retorno após o afastamento.

Esse episódio reforça debates sobre o uso político de emendas parlamentares em final de ano como ferramenta de negociação e influência dentro do Congresso, além de colocar em evidência a negociação entre blocos políticos que nem sempre seguem estritamente linhas ideológicas.