Oposição consegue assinaturas e avança com pedido de CPMI do Banco Master no Congresso Nacional

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Oposição consegue assinaturas e avança com pedido de CPMI do Banco Master no Congresso Nacional

A oposição no Congresso Nacional anunciou nesta quarta-feira (31/12/2025) que reuniu o número mínimo de assinaturas para solicitar a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso do Banco Master, movimento que marca um novo capítulo no debate político e financeiro em Brasília.

De acordo com parlamentares oposicionistas, o requerimento já conta com 205 assinaturas — 177 deputados federais e 28 senadores — acima do mínimo exigido pela legislação para a abertura de uma CPMI no Congresso Nacional. A iniciativa é liderada pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) e se concentra na apuração de possíveis fraudes financeiras bilionárias e falhas na supervisão bancária que teriam levado à crise envolvendo o banco.

Para que a CPMI seja formalmente instalada, o pedido precisa ser lido em sessão conjunta do Congresso Nacional pelo presidente do Congresso — cargo atualmente ocupado pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) — e depois aprovado pelos parlamentares. Os líderes da oposição afirmam que pretendem apresentar o requerimento oficialmente logo no início dos trabalhos legislativos de 2026, após o término do recesso.

O pedido de CPMI ganhou força no meio político após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em meio a suspeitas de irregularidades financeiras de grande magnitude — com prejuízos estimados em mais de R$ 12 bilhões — e a polêmica envolvendo um contrato milionário entre o banco e o escritório de advocacia da esposa de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso do Banco Master também tem sido tema de apuração em outras esferas, incluindo investigações da Polícia Federal e análise de inquéritos no STF, o que alimenta a argumentação dos oposicionistas de que a CPMI é necessária para complementar as investigações criminais com uma apuração política e legislativa mais ampla.

Especialistas em direito parlamentar lembram que, constitucionalmente, uma CPMI pode investigar fatos determinados de relevância institucional quando uma proporção mínima de parlamentares a subscreve, e que, caso instalada, terá poderes equivalentes aos de um juiz para convocar e ouvir autoridades e agentes envolvidos no caso.

A movimentação ocorre em meio a um ambiente político tenso, com líderes oposicionistas também articulando pedidos de impeachment contra autoridades do Judiciário relacionadas ao episódio, o que torna a tramitação da CPMI mais complexa e potencialmente divisiva ao longo de 2026.

A criação da CPMI do Banco Master será acompanhada de perto pela sociedade e pelos mercados financeiros, dada a magnitude das perdas atribuídas e as potenciais implicações para a supervisão do sistema bancário brasileiro e para a confiança nas instituições públicas.