De Washington a Dhaka, urnas em múltiplos continentes prometem influenciar agendas domésticas e geopolíticas ao longo do ano
O ano de 2026 será marcado por um dos momentos políticos mais intensos da última década, com cerca de 58 países realizando eleições nacionais — entre presidenciais e legislativas — que têm potencial para modificar não apenas o cenário interno dessas nações, mas também a distribuição de poder e as relações internacionais no mundo.
Especialistas apontam que a combinação de **eleições em grandes democracias, testes à estabilidade de regimes e pleitos em países estratégicos permitirão avaliar tendências globais de governança, polarização e cooperação multilateral em um contexto já tensionado por conflitos e desafios econômicos.
1. Estados Unidos — eleições legislativas intermediárias (midterms) — novembro
As eleições para a Câmara dos Representantes e um terço do Senado americano estão no centro das atenções globais. O resultado determinará o poder de fogo do presidente Donald Trump em sua relação com o Congresso, impactando desde política fiscal até segurança externa e comércio. Um Congresso dividido pode limitar grandes iniciativas legislativas e reforçar incertezas internas e externas.
2. Brasil — eleições gerais (presidencial e legislativas) — 2 de outubro
O Brasil vai às urnas em um pleito que testará a continuidade do governo federal e influenciará a política regional latino-americana. O resultado pode redefinir pautas econômicas, ambientais, políticas sociais e a própria capacidade do país de mediar agendas continentais nos próximos anos.
3. Hungria — eleições parlamentares
As eleições na Hungria são observadas de perto na Europa porque podem marcar o fim da longa liderança de Viktor Orbán — figura chave na promoção de políticas nacionalistas e céticas em relação à UE. Uma mudança de governo poderia rever a posição húngara sobre temas como integração europeia, migração e apoio à Ucrânia.
4. Israel — legislativas
Em um contexto de contínua tensão regional, as eleições em Israel podem alterar o equilíbrio de poder interno e afetar políticas de segurança, relações com os Estados Unidos e estratégias no Oriente Médio, especialmente em relação ao conflito com Hamas e outros grupos.
5. Bangladesh — parlamentares (fevereiro)
Bangladesh realizará eleições em um cenário pós-protestos estudantis que derrubaram lideranças de longa data. O desfecho pode influenciar o papel da juventude na política e a postura do país frente a potências regionais como China e Índia.
6. Colômbia — presidenciais (maio)
A eleição na Colômbia ocorre em um momento crucial de segurança interna e da paz com as FARC, além de moldar relações com os EUA, vizinhos e políticas migratórias regionais. O novo presidente terá papel significativo na estabilidade andina e no futuro da integração sul-americana.
7. Etiópia — eleições gerais (1º de junho)
As eleições na Etiópia serão um teste para a governança em um país que tem enfrentado conflitos internos e desafios à legitimidade democrática. O resultado pode influenciar a estabilidade do Chifre da África e as relações com parceiros internacionais que buscam cooperação em segurança e desenvolvimento.
8. Rússia — legislativas (até 20 de setembro)
As eleições para a Duma estatal russa definirão o equilíbrio de poder interno e o apoio ao presidente Vladimir Putin. Mesmo com a oposição em dificuldade, esses pleitos influenciam debates sobre política externa, economia e papel da Rússia em conflitos como o da Ucrânia.
Por que essas eleições importam agora
Segundo analistas internacionais, as eleições de 2026 representam um termômetro do estado da democracia, ideologias em ascensão e de mudanças regionais de poder. Países com grandes populações ou economias fortes — como os EUA, Brasil ou Hungria — podem influenciar padrões de cooperação global ou exacerbar rivalidades já existentes.
Além disso, processos eleitorais em nações emergentes ou em regiões de conflito oferecem sinais sobre a resiliência democrática e as tendências de estabilidade institucional — fatores que afetam desde fluxos de investimentos até alianças militares e políticas de migração.
No total, cerca de 30% dos países reconhecidos pela ONU terão votações em 2026, com mais de 20 chefes de Estado sendo eleitos — número que destaca a intensidade do ciclo eleitoral global.
Em suma: 2026 promete ser um ano decisivo para a política mundial. Urnas na América, Europa, África e Ásia podem remodelar não apenas governos individuais, mas também blocos regionais, políticas econômicas globais e a própria dinâmica de poder nas próximas décadas.