Protagonismo do Supremo não é obra do acaso, mas resultado de décadas de judicialização da política e vácuos legislativos
O Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou-se como o eixo gravitacional da política brasileira, ocupando uma posição tão central quanto incômoda no debate público atual. Este cenário não surgiu de um dia para o outro; é o desfecho de um longo processo histórico que transformou a Corte na última instância de decisões vitais para o país.
Diferente do que sugerem teses simplistas, esse protagonismo não foi arquitetado por um plano secreto de partidos ou por uma vontade isolada de seus ministros. O fenômeno da judicialização da política no Brasil é fruto da Constituição de 1988, que deu ao tribunal o papel de guardião de direitos sociais e políticos abrangentes.
Ao longo das últimas décadas, o Congresso Nacional frequentemente evitou temas polêmicos, deixando lacunas que acabaram sendo preenchidas por decisões magistradas. Esse vácuo legislativo forçou o STF a atuar em questões que, em outras democracias, seriam resolvidas exclusivamente pelo voto popular ou por acordos parlamentares.
Hoje, a Corte enfrenta o desafio de equilibrar sua autoridade institucional com a crescente pressão das redes sociais e das alas políticas descontentes. O resultado é uma exposição sem precedentes que coloca em xeque a imagem de neutralidade do tribunal, enquanto este tenta manter a estabilidade democrática nacional.