O que esperar de 2026: crescimento, emprego, renda e preços no Brasil

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O que esperar de 2026: crescimento, emprego, renda e preços no Brasil

O ano de 2026 começa com um misto de otimismo cauteloso e desafios persistentes para a economia brasileira. Após um 2025 de desaceleração global e ajustes internos, o país entra em um novo ciclo político e econômico com perspectivas moderadas de crescimento, controle inflacionário e melhora gradual no poder de compra das famílias.

📈 Crescimento econômico

O Banco Central e o Ministério da Fazenda projetam crescimento do PIB entre 2% e 2,3% em 2026, impulsionado por investimentos em infraestrutura, expansão do crédito e recuperação do consumo doméstico. O setor agroindustrial deve continuar forte, especialmente com exportações de soja, milho e carne, enquanto a indústria tenta se reerguer após anos de baixa produtividade.
Segundo o FMI, o Brasil deve crescer acima da média da América Latina, mas ainda abaixo do potencial necessário para ganhos sustentáveis de renda e emprego.

💼 Mercado de trabalho

O mercado de trabalho deve continuar em ritmo positivo. A taxa de desemprego, que fechou 2025 em torno de 7,6%, pode cair para 7,2% até dezembro, segundo a FGV e o IPEA.
A geração de vagas, porém, tende a se concentrar no setor de serviços e comércio, com avanço mais lento da indústria de transformação. A informalidade, que ainda atinge cerca de 40% da força de trabalho, deve permanecer um desafio estrutural.

💰 Renda e poder de compra

O salário mínimo nacional passou a ser de R$ 1.650 em janeiro, refletindo o reajuste acima da inflação e o retorno da política de valorização real. Analistas estimam que o poder de compra das famílias deve melhorar levemente, impulsionado pelo crédito mais barato e programas de transferência de renda ampliados, como o Bolsa Família e o Programa Pé-de-Meia, voltado a estudantes.
Contudo, o endividamento das famílias — que supera 48% da renda anual média — ainda limita o consumo, principalmente nas classes C e D.

📊 Inflação e juros

A inflação deve encerrar 2026 próxima a 3,6%, segundo o Boletim Focus, dentro da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional. O recuo nos preços de combustíveis e energia elétrica deve compensar a alta dos alimentos no primeiro semestre.
Com o cenário inflacionário sob controle, o Banco Central tende a manter a Selic em torno de 9,5% ao ano, com espaço para novos cortes no segundo semestre, o que deve favorecer crédito, investimentos e consumo.

🛒 Preços nos supermercados

Os consumidores ainda devem sentir variação significativa nos preços de alimentos e produtos básicos nos primeiros meses de 2026, sobretudo por causa de condições climáticas e custos logísticos.
Segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), itens como arroz, feijão, café e carne bovina devem registrar aumentos entre 4% e 8%, enquanto produtos industrializados — como massas, biscoitos e enlatados — devem ter reajustes menores, próximos à inflação oficial. Já frutas, verduras e legumes podem ficar mais baratos a partir do segundo trimestre, com a normalização da safra.

🧩 Cenário internacional

O Brasil deve continuar se beneficiando da demanda externa por commodities, especialmente com a recuperação da economia chinesa e o aumento da exportação de alimentos para a Europa e o Oriente Médio. No entanto, o ambiente geopolítico incerto — marcado por tensões entre EUA e China e a instabilidade na Venezuela — pode afetar o comércio e o câmbio.
O dólar, que iniciou o ano na faixa de R$ 4,85, tende a permanecer entre R$ 4,70 e R$ 5,00, dependendo do cenário fiscal e da política monetária dos EUA.

📉 Conclusão

Em resumo, 2026 promete ser um ano de crescimento moderado, inflação controlada e estabilidade do mercado de trabalho, mas com desafios em produtividade, contas públicas e custo de vida.
O brasileiro deve sentir ligeira melhora no bolso, mas ainda precisará equilibrar o orçamento diante de preços elevados em alimentos e serviços.

Como resume a economista Mônica de Bolle (PIIE):
“O Brasil entra em 2026 com mais estabilidade e menos euforia. O país não vai crescer rápido, mas cresce com base sólida — e, em tempos de incerteza global, isso já é um grande avanço.”