Novo salário mínimo de 2026 deve impulsionar a economia e elevar gastos da Previdência, aponta Dieese

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Novo salário mínimo de 2026 deve impulsionar a economia e elevar gastos da Previdência, aponta Dieese

O salário mínimo brasileiro para 2026 foi oficializado em R$ 1.621, resultado de um reajuste nominal de 6,79% em relação ao valor anterior de R$ 1.518, conforme publicado em decreto do governo federal e incluído na Lei Orçamentária Anual (LOA) aprovada pelo Congresso Nacional. Esse aumento será válido a partir de 1º de janeiro de 2026 e começará a impactar os rendimentos dos trabalhadores em fevereiro.

Segundo estimativas divulgadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o novo piso salarial deve injetar cerca de R$ 81,7 bilhões na economia nacional em 2026. Esse impacto decorre principalmente do aumento de renda de milhões de brasileiros que recebem salário mínimo, aposentadorias, pensões e benefícios sociais referenciados nesse valor, o que estimula o consumo de bens e serviços e fortalece setores como comércio e serviços.

A elevação do salário mínimo também terá efeito direto sobre as despesas da Previdência Social, dado que grande parte dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é vinculada ao piso nacional. O Dieese estima que o reajuste deve elevar os gastos previdenciários em cerca de R$ 39,1 bilhões em 2026, em função da atualização automática de aposentadorias, pensões e outros benefícios atrelados ao mínimo.

Esse aumento expressivo dos gastos obrigatórios coloca pressão sobre o orçamento público em um contexto marcado por restrições fiscais, como o teto de gastos que limita a expansão das despesas da União. Ainda assim, especialistas argumentam que o piso salarial elevado pode ter um efeito multiplicador na economia ao estimular o consumo das famílias de baixa renda, compensando em parte os custos adicionais por meio de maior arrecadação tributária.

O cálculo do novo valor vigorou com base na variação da inflação medida pelo INPC e na previsão de crescimento do PIB, conforme regra de correção automática que busca preservar o poder de compra dos trabalhadores em relação ao ano anterior.

Além disso, o Dieese ressalta que, apesar do aumento real do piso, o valor ainda está aquém do que seria necessário para cobrir todas as despesas básicas de uma família, segundo cálculos da própria instituição. Isso tem alimentado debates sobre a necessidade de políticas mais amplas de valorização do trabalho e de proteção social no Brasil.

Em resumo, o novo salário mínimo de R$ 1.621 para 2026 deverá apoiar a atividade econômica ao elevar a renda disponível de milhões de brasileiros, ao mesmo tempo em que apresenta desafios fiscais significativos, especialmente no que diz respeito às contas da Previdência.