Ministros e petistas históricos tiveram cargos ou vínculos com o Banco Master, apontam documentos

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Ministros e petistas históricos tiveram cargos ou vínculos com o Banco Master, apontam documentos

Documentos anexados a investigações e reportagens recentes indicam que nomes ligados ao PT e ao governo federal — entre eles Ricardo Lewandowski, Guido Mantega e Jerônimo Rodriguesmantiveram vínculos profissionais, consultivos ou institucionais com o Banco Master antes de a instituição financeira ser colocada em liquidação extrajudicial pelo Banco Central, em novembro de 2025.

Contexto da liquidação

O Banco Central (BC) decretou a liquidação do Master após identificar problemas graves de solvência, fraudes em operações de crédito e gestão irregular de fundos de investimento. A instituição, com sede em São Paulo e operações no mercado de capitais, administrava carteiras avaliadas em mais de R$ 11 bilhões, parte delas formadas por fundos públicos e privados.

A medida gerou forte repercussão política por causa dos nomes de ex-ministros e aliados do governo Lula que aparecem como ex-consultores, parceiros ou conselheiros do banco — embora nenhum deles seja, até o momento, formalmente investigado.

Lewandowski, Mantega e Jerônimo Rodrigues

O atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, teria atuado como consultor jurídico externo do banco entre 2021 e 2022, período em que já estava aposentado do Supremo Tribunal Federal. A assessoria do ministro afirmou que “o contrato se limitou a pareceres técnicos e não envolveu qualquer participação societária”.

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, por sua vez, integrou o conselho econômico do grupo Master Holding entre 2020 e 2023. Segundo nota de sua defesa, o ex-ministro “não teve poder de gestão nem acesso a informações financeiras sensíveis” e atuou apenas “em debates de política econômica e financiamento verde”.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), é citado em relatórios de 2022 como interlocutor político em projetos de investimento do banco na região Nordeste, mas nega qualquer envolvimento administrativo ou financeiro. “Nunca tive cargo ou remuneração ligada ao banco Master. Fui procurado para discutir projetos de crédito rural, mas nada foi firmado”, declarou.

Vínculos políticos e reações

A revelação de que figuras próximas ao Planalto tiveram vínculos com o banco provocou reação no Congresso. Parlamentares da oposição, como o senador Eduardo Girão (Novo-CE), pediram abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis conexões entre o banco e fundos públicos federais.

Em resposta, o Palácio do Planalto classificou as acusações de “tentativa de politização de um caso bancário sob investigação técnica do BC e do Ministério Público Federal”.

O que dizem os analistas

Economistas e juristas apontam que, embora não haja provas de irregularidades diretas por parte dos ex-ministros, a presença de figuras públicas de peso em conselhos e consultorias de instituições financeiras levanta debate sobre conflito de interesses e transparência.

“O problema não é apenas legal, mas ético: ex-autoridades precisam observar períodos de quarentena e evitar sobreposição de funções em instituições sujeitas a regulação estatal”, afirmou o economista José Márcio Camargo, da PUC-Rio.

Com o caso ainda sob análise do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União, a crise do Banco Master pode se tornar mais do que um problema financeiro — um teste de transparência política para o governo Lula e para parte da elite histórica do PT.