Mais de 250 presos não retornam às prisões após “saidinha” de Natal no Rio de Janeiro

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Mais de 250 presos não retornam às prisões após “saidinha” de Natal no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, pelo menos 258 presos beneficiados pela chamada “saidinha” de Natal — oficialmente chamada Visita Periódica ao Lar (VPL) — não voltaram às unidades prisionais dentro do prazo legal, que terminou em 30 de dezembro. O dado foi divulgado pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e confirmado por reportagens locais, levantando preocupação nas autoridades de segurança pública.

Ao todo, 1.868 detentos receberam a autorização temporária de saída, prevista na legislação para presos no regime semiaberto que cumpriram parte da pena e demonstraram bom comportamento. No entanto, a evasão resultou em um índice elevado de descumprimento, o que tem reforçado o debate sobre os riscos e a eficácia do benefício.

Grande parte dos foragidos está ligada a facções criminosas, segundo dados que destacam a predominância de integrantes do Comando Vermelho (CV) entre os que não retornaram. Do total de fugitivos, cerca de 150 pertenciam ao CV, representando mais da metade dos casos, com outros detentos vinculados a grupos como o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Amigos dos Amigos (ADA), entre outras classificações.

Entre os nomes que entraram na lista de não retornados estão detentos classificados como de alta e altíssima periculosidade, incluindo líderes de facções ou com histórico de envolvimento no tráfico de drogas, armas e crimes violentos. Esses casos chamam atenção das forças de segurança, pois refletem os desafios de equilibrar mecanismos de ressocialização com a preservação da segurança pública.

Especialistas em segurança ouvidos por veículos da imprensa ressaltam que a saída temporária, apesar de prevista em lei desde 1984 para facilitar a reintegração social de detentos que cumprem requisitos, tem sido alvo de críticas crescentes em razão de episódios em que parcelas significativas do grupo beneficiado não retornam e acabam foragidas.

O fenômeno, embora não seja inédito — ocorrendo historicamente em saídas temporárias de fim de ano —, reacende o debate sobre políticas penitenciárias, controle e monitoramento dos detentos, bem como impactos na sensação de segurança da população. Autoridades estaduais ainda não divulgaram um balanço definitivo sobre as medidas adotadas para recaptura e punição dos fugitivos, mas a situação segue sob fiscalização das forças policiais e da administração prisional.