Laços Privados, Investimentos e o Caso Banco Master: O STF no Centro de Uma Tempestade de Dúvidas

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Laços Privados, Investimentos e o Caso Banco Master: O STF no Centro de Uma Tempestade de Dúvidas

Empresas de familiares do ministro Dias Toffoli tiveram sociedade com fundo ligado a suspeitas de fraudes bilionárias — e decisões judiciais no caso intensificam questionamentos sobre transparência

Uma nova frente de controvérsia política e jurídica se abriu em Brasília nesta semana: empresas pertencentes a dois irmãos e a um primo do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram como sócio um fundo de investimento que se conecta a uma teia de suspeitas no caso Banco Master, conforme reportagem do jornal Folha de S. Paulo e documentos oficiais analisados pela imprensa.

O fundo Arleen manteve participação em Tayayá Administração e Participações, responsável pelo resort Tayayá em Ribeirão Claro (PR), e na incorporadora DGEP Empreendimentos, cuja sociedade incluiu um primo do ministro. Esses ativos, por sua vez, estavam ligados a outros fundos que investiram no RWM Plus, que recebeu recursos de fundos associados ao Maia 95 — apontado pelo Banco Central como parte de um esquema de fraudes ligado ao banco controlado por Daniel Vorcaro.

Embora o fundo Arleen não seja alvo direto de investigação, autoridades consultadas pela Folha e por outros veículos ressaltam que fundos administrados pela gestora Reag — também envolvida em apurações de lavagem de dinheiro em uma operação da Polícia Federal — articulavam movimentações financeiras complexas utilizadas para inflar artificialmente ativos e ocultar operações suspeitas.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque Toffoli é o relator no STF do inquérito que apura irregularidades no Banco Master, que envolve movimentações estimadas em bilhões de reais e está sob sigilo absoluto desde dezembro de 2025, por decisão do próprio ministro.

A condução do processo no Supremo — incluindo a manutenção do segredo de Justiça e a convocação de acareações com autoridades regulatórias — tem sido alvo de críticas de setores políticos e do mercado financeiro, que pedem maior transparência diante da dimensão e complexidade das suspeitas.

Além da teia societária em questão, relatos na mídia apontaram que Toffoli teria viajado em jato particular ligado a um advogado envolvido no caso e que sua esposa já foi sócia de outro profissional ligado às defesas no processo — elementos que alimentam debates públicos sobre possíveis conflitos de interesse.

Até o momento, nem o ministro, nem seus familiares, nem os envolvidos nos fundos investigados se manifestaram oficialmente sobre os vínculos. A situação intensifica a tensão entre a atuação do Judiciário e a percepção de imparcialidade em uma das investigações mais sensíveis da Justiça brasileira nos últimos anos.