Projeções e dados oficiais indicam um cenário de crescimento robusto que reposiciona Nova Deli no ranking global, com implicações geopolíticas e econômicas
A **Índia deve ultrapassar o Japão e se tornar a quarta maior economia do mundo em 2026, de acordo com projeções de estudo da Academia de Ciências da Rússia e estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de relatórios oficiais de Nova Deli. Caso a previsão se confirme com os dados finais de Produto Interno Bruto (PIB) nominal, será um marco histórico na evolução econômica global.
Segundo o relatório divulgado pela Sputnik Brasil, o crescimento indiano tem sido impulsionado por forte demanda interna, com destaque para o aumento do consumo nas áreas urbanas e investimentos públicos em infraestrutura, combinados com políticas estratégicas de modernização industrial e tecnológica. O estudo projeta que a economia da Índia pode crescer entre 6,5% e 7% ao ano, sustentando sua trajetória de expansão.
Os dados preliminares apontam que o PIB indiano foi estimado em cerca de US$ 4,18 trilhões, valor que já teria colocado o país à frente do Japão em termos nominais em 2025 — mesmo antes da consolidação dos números oficiais de 2026. Projeções do FMI reforçam esse diagnóstico, estimando que a economia indiana poderá atingir US$ 4,51 trilhões em 2026, ligeiramente acima dos US$ 4,46 trilhões esperados para o Japão.
Fatores por trás da ascensão econômica
Especialistas destacam fatores internos que têm sustentado esse desempenho:
• Mercado doméstico robusto: Com uma população jovem — cerca de 66% com menos de 39 anos — e rápida urbanização, a Índia aproveita um consumo interno crescente como motor de crescimento.
• Políticas públicas voltadas à industrialização: Programas nacionais como Make in India, Digital India e PM Gati Shakti têm sido citados como elementos importantes para ampliar a capacidade produtiva e integrar cadeias logísticas e digitais.
• Crescimento acelerado recente: Relatórios oficiais indicam aceleração do crescimento real do PIB, com taxas acima de 8% em determinados trimestres, impulsionadas por indústria, serviços e consumo.
Desafios estruturais persistentes
Apesar do otimismo, especialistas também enfatizam que obstáculos estruturais podem limitar o ritmo de ascensão. Entre eles estão lacunas na infraestrutura de transporte, elevada informalidade no mercado de trabalho e baixa produtividade em setores como a agricultura — aspectos que exigem reformas e investimentos sustentados para manter o ímpeto de crescimento.
Significado geopolítico da ultrapassagem
A possível ultrapassagem do Japão simboliza uma mudança no eixo econômico global, refletindo a emergência de economias de grande potencial demográfico e altos ritmos de crescimento. Isso reforça o papel da Índia como protagonista econômico do Sul Global e um ator influente em fóruns multilaterais sobre desenvolvimento e cooperação internacional.
Alguns analistas, no entanto, lembram que o PIB per capita indiano ainda é substancialmente menor do que o de economias avançadas — um reflexo de seu enorme contingente populacional. Apesar disso, o avanço numérico no ranking global tem impacto simbólico e concreto sobre investimentos estrangeiros e percepções de competitividade internacional.
E depois de 2026?
Com o Japão atrás, a Índia mira o próximo degrau: ultrapassar a Alemanha e se tornar a terceira maior economia do planeta nos próximos anos. Projeções de longo prazo citam a possibilidade de a Índia alcançar um PIB de cerca de US$ 7,3 trilhões até 2030, o que poderia posicioná-la ainda mais perto das maiores potências econômicas, dependendo da manutenção das tendências de crescimento e reformas estruturais.
Em suma: o estudo russo e os principais levantamentos de organizações internacionais indicam que a Índia está em uma trajetória de crescimento acelerado que pode levá-la a ultrapassar o Japão em 2026 no ranking das maiores economias do mundo, um movimento com amplas implicações econômicas e geopolíticas para o futuro global.