A greve dos trabalhadores dos Correios continua a provocar atrasos significativos nas entregas de encomendas e correspondências em todo o Brasil, em um dos momentos mais críticos para a logística postal: o período de fim de ano e o pós-Natal. A paralisação, que já atinge 17 estados, segue sem previsão de término, gerando prejuízos a consumidores, pequenos negócios e e-commerces em plena temporada de compras festivas.
De acordo com informações oficiais, o movimento grevista se mantém desde 16 de dezembro de 2025, em razão de um impasse nas negociações do acordo coletivo de trabalho entre os sindicatos da categoria e a direção dos Correios. A questão principal envolve pontos como remuneração por horas extras e mudanças no sistema de ponto por exceção, que os trabalhadores querem manter, enquanto a estatal argumenta que o fim dessa prática é necessário para melhorar a produtividade e o controle operacional.
A paralisação não tem sido homogênea: enquanto 13 estados, especialmente no Norte e Nordeste, operam normalmente, as maiores economias — como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul — enfrentam interrupções ou serviços reduzidos.
O impacto dessa greve vai além da simples espera por encomendas. Consumidores relatam que produtos comprados para o Natal não chegaram a tempo, e mercadorias destinadas a presentes ou reembolsos permanecem “em transferência” nos sistemas da estatal por semanas, impossibilitando devoluções e gerando frustração.
Pequenos empresários também vêm enfrentando prejuízos financeiros: lojas que dependem da entrega de peças personalizadas ou mercadorias via Correios relatam cancelamentos e devoluções, com risco de demandas jurídicas por entregas não cumpridas.
A greve dos Correios não ocorre de forma isolada no cenário trabalhista brasileiro: há registro de ações de solidariedade de outras categorias, como trabalhadores do setor de petróleo, em manifestações contra a privatização e mudanças nos direitos trabalhistas, o que intensifica a pressão sobre serviços públicos e estatais.
Enquanto isso, a Justiça do Trabalho determinou a manutenção de pelo menos 80% dos funcionários em atividade nas unidades postais, sob pena de multa, numa tentativa de minimizar o colapso dos serviços essenciais durante as festas e assegurar operação mínima em centros estratégicos.
A estatal afirma que continua operando em regime de contingência, com cerca de 90% dos trabalhadores ainda em atividade, e que trabalha para reduzir os efeitos da greve, mas o atual cenário indica que os atrasos e transtornos devem persistir até que sindicatos e direção cheguem a um acordo ou haja decisão judicial definitiva sobre o dissídio coletivo.