Gilberto Cattani pede expulsão de prefeito de Sinop por críticas a Bolsonaro

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Gilberto Cattani pede expulsão de prefeito de Sinop por críticas a Bolsonaro

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL-MT) formalizou uma queixa interna no Partido Liberal (PL) de Mato Grosso solicitando a abertura de um procedimento disciplinar e a expulsão do prefeito de Sinop, Roberto Dorner (PL), por declarações que ele considera ofensivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente cumprindo pena em regime fechado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e outras acusações. O documento, datado de 27 de novembro de 2025 e recebido pelo partido no início de dezembro, intensifica uma crise interna na sigla no estado.

No pedido, Cattani cita uma entrevista concedida por Dorner em que o gestor afirma que Bolsonaro seria uma “carta fora do baralho”, está “politicamente acabado” e “não é dono do partido nem da direita”, ao mesmo tempo em que defende que o PL deveria apoiar o nome do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) para a presidência. Para Cattani, tais declarações teriam tido ampla circulação pública e repercussão negativa, afetando a imagem da principal liderança nacional da sigla e ferindo o código de ética do PL, que exige alinhamento e respeito às diretrizes partidárias.

Trata-se de comportamento incompatível com a condição de filiado, especialmente para quem exerce mandato eletivo”, argumenta Cattani no documento, defendendo que as posições de Dorner prejudicam a unidade do partido e seu projeto político nas eleições gerais de 2026.

A relação entre Cattani e Dorner já vinha sendo marcada por atritos desde a filiação do prefeito ao PL. Dorner, que se elegeu em 2024 sem o apoio formal de Bolsonaro, vinha defendendo uma postura mais pragmática e dialogante, chegando a afirmar que pretende atuar como figura de “centro-direita” disposta a ampliar alianças, mesmo que isso signifique distanciar-se parcialmente da ala mais radical e do ex-presidente.

A crise interna reflete uma disputa mais ampla dentro do PL mato-grossense entre setores mais alinhados ao bolsonarismo duro — que exigem fidelidade absoluta ao ex-presidente e ao discurso oficial — e grupos mais pragmáticos que defendem flexibilidade eleitoral e estratégica. A decisão sobre o pedido de Cattani ficará sob responsabilidade da direção estadual do PL, presidida por Ananias Filho, que deverá analisar se houve violação ética suficiente para a aplicação de sanções, incluindo a expulsão do prefeito.

Especialistas em politica local avaliam que o episódio pode agravar divisões internas e impactar coligações e apoios nas eleições de 2026, especialmente em um momento em que o PL busca manter coesão e competitividade nacional.

A polêmica em Sinop deve permanecer no radar político nos próximos meses, à medida que o partido define suas estratégias e possíveis punições internas são discutidas.