A empresa G4 Entretenimento e Tecnologia Ltda., que tem entre seus sócios Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acumula dívidas de aproximadamente R$ 398 mil com a União, segundo dados do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e da Receita Federal.
Os débitos são referentes a impostos federais não pagos, contribuições previdenciárias e multas trabalhistas aplicadas à empresa, que atua nas áreas de produção de conteúdo digital, tecnologia e eventos corporativos. Parte das pendências também está sendo cobrada judicialmente pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), conforme registros disponíveis no sistema de dívida ativa da União.
De acordo com informações do Portal da Transparência e da Consulta Pública da PGFN, a empresa possui pendências tributárias desde 2020, e os valores foram reparcelados em 2023, mas voltaram a entrar em inadimplência em meados de 2025. Os débitos somam R$ 394.718,00, incluindo juros e correção monetária até dezembro do último ano.
A G4 Entretenimento e Tecnologia, fundada em 2016, tem sede em São Paulo (SP) e já realizou contratos com empresas privadas e produtoras de eventos esportivos e de entretenimento. Documentos públicos da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) confirmam a participação de Fábio Luís como sócio majoritário, com 80% das cotas da empresa.
A reportagem apurou que parte da dívida refere-se a contribuições previdenciárias não recolhidas e autuações trabalhistas ligadas a rescisões contratuais não quitadas. Há também registros de multas administrativas aplicadas pela Superintendência Regional do Trabalho e pelo INSS.
“A inscrição da empresa em dívida ativa indica inadimplência persistente e impede a participação da companhia em licitações e contratos públicos”, explicou o advogado tributarista Rogério Mendonça, consultado sobre o caso.
Procurada, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou, em nota, que as pendências “decorrem de divergências fiscais já em fase de regularização junto aos órgãos competentes” e que a empresa “não possui contratos com o poder público, nem recebeu benefícios fiscais federais”.
Apesar da justificativa, os registros da Receita mostram que as dívidas continuam ativas e sem parcelamento vigente, o que mantém a companhia impedida de obter certidão negativa de débitos (CND).
A G4 Entretenimento foi uma das empresas mencionadas em investigações anteriores sobre contratos entre o grupo Oi/Telemar e negócios ligados ao filho do presidente, mas não foi alvo de condenação judicial.
O caso reacende o debate sobre a situação tributária de empresas associadas a familiares de figuras públicas e a necessidade de transparência nas relações empresariais.
“Empresas ligadas a pessoas com relevância política devem observar padrões de conformidade fiscal ainda mais rigorosos. A inadimplência pode gerar questionamentos éticos e de governança”, avaliou o economista Eduardo Giannini, professor de administração pública da FGV.
Até o momento, a Presidência da República não se manifestou oficialmente sobre o caso. Segundo fontes do Palácio do Planalto, o governo considera o episódio “de natureza privada” e sem relação com a atuação pública de Lula.
A PGFN confirmou que as cobranças da G4 seguem em andamento e que o nome da empresa permanece inscrito no Cadin, até o pagamento ou parcelamento integral dos débitos.