A economia dos Estados Unidos tem sido descrita por economistas e analistas financeiros como uma “economia em forma de K”, um conceito que vem ganhando destaque para explicar as crescentes desigualdades e divergências nos padrões de recuperação econômica no país.
O que é a economia K?
Uma economia K-shaped (forma de K) ocorre quando diferentes segmentos da economia se recuperam ou crescem em ritmos drasticamente distintos após um choque ou recessão. Nessa configuração, uma parte da população e setores econômicos — especialmente os de alto rendimento, tecnologia e mercados financeiros — apresentam forte crescimento, enquanto outra parte — trabalhadores de baixa e média renda, pequenas empresas e setores tradicionais — permanece estagnada ou em declínio. O gráfico resultante lembra a letra “K”, com um braço subindo e outro caindo.
Como isso se manifesta nos EUA?
Nos últimos anos, os EUA experimentaram crescimento robusto em setores ligados a tecnologia, investimentos e mercados de capitais, enquanto os rendimentos de trabalhadores de classes médias e baixas têm crescido lentamente ou estagnado. Isto é acompanhado por elevação nos preços de ativos, como ações e imóveis, que beneficiam proprietários e investidores de maior renda — contribuindo para ampliar a distância entre ricos e pobres.
Por que é considerado uma armadilha?
Economistas argumentam que esse modelo cria desigualdade estrutural porque o crescimento econômico não é amplamente compartilhado. Enquanto os mais ricos acumulam mais renda e riqueza, muitos trabalhadores enfrentam dificuldades para acessar moradia, lidar com custos crescentes e melhorar seus rendimentos reais. Essa disparidade pode enfraquecer a confiança dos consumidores, reduzir a mobilidade social e gerar tensão política e social.
Raiz do problema
Uma combinação de fatores contribuiu para a economia K nos EUA:
- Recuperações assimétricas após crises, como a pandemia, em que setores de alto rendimento se recuperaram mais rápido que outros.
- Concentração de renda e riqueza nas camadas superiores da sociedade, com parcela crescente do consumo sendo impulsionada pelos mais ricos.
- Políticas fiscais e monetárias que, ao focarem em estímulo a mercados financeiros, podem beneficiar investidores em detrimento de trabalhadores de renda média.
Impacto social e econômico
Em uma economia K, mesmo quando indicadores macroeconômicos, como o PIB, parecem sólidos, o sentimento das famílias de baixa renda pode ser negativo, refletindo dificuldades reais em manter padrões de vida básicos e alcançar bens como moradia própria. Essa lacuna entre estatísticas agregadas e experiência cotidiana intensifica debates sobre a sustentabilidade do crescimento econômico e o custo da desigualdade.
Em síntese: a “economia K” não é apenas uma forma curiosa de descrever gráficos — é uma descrição das assimetrias profundas que se manifestam quando o crescimento econômico favorece fortemente alguns segmentos enquanto outros ficam para trás, criando desafios duradouros para o tecido social e econômico dos EUA.