Escalada da violência entre facções desafia programa “Tolerância Zero” do Governo de MT

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Escalada da violência entre facções desafia programa “Tolerância Zero” do Governo de MT

Mesmo com a implementação do programa Tolerância Zero Contra Facções Criminosas, o governo de Mato Grosso enfrenta neste ano uma percepção crescente de insegurança pública em meio a uma escalada de confrontos entre grupos criminosos que atuam no estado. O fenômeno, que envolve disputas territoriais e episódios de grande violência, tem repercutido na política estadual e levado o governador Mauro Mendes (União Brasil) a defender a aprovação do chamado projeto Antifacções no Congresso Nacional.

Dados do relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025 mostram que o Comando Vermelho (CV) consolidou hegemonia em Mato Grosso, com presença em 85 municípios e controle exclusivo em 71 deles, enquanto o Primeiro Comando da Capital (PCC) aparece em 14 municípios, sendo predominante em cinco. Outras organizações, como a Tropa do Castelar e o Bonde dos 40 (B40), também foram identificadas com atuação local, embora com menor capilaridade.

Os confrontos foram observados em diferentes regiões, incluindo Cáceres, Pontes e Lacerda, Sorriso, Cuiabá e Várzea Grande, com episódios marcantes de violência que ilustram a brutalidade da disputa. Casos como o sequestro e assassinato de trabalhadores maranhenses em Várzea Grande e o homicídio de José Wallefe dos Santos Lins, ocorrido em agosto, evidenciam o impacto dessas guerras de facções na segurança cotidiana.

Especialistas em segurança pública destacam que a expansão de organizações criminosas na Região Amazônica está relacionada à sua importância como rota estratégica de tráfico e logística do crime organizado, com grupos como CV e PCC competindo por domínio em mercados ilícitos. Estudos acadêmicos sobre o crime organizado na Amazônia apontam que essas facções, muitas vezes, funcionam quase como estruturas híbridas de poder em áreas com menor presença estatal, alimentando ciclos de violência e afronta ao monopólio da força pública.

Diante desse cenário, o governador tem intensificado a retórica e as medidas de enfrentamento. Mendes afirma que a legislação atual é “frágil” e defende que facções sejam classificadas de forma mais rígida — incluindo propostas de aumento de penas para líderes e crimes associados ao crime organizado, inclusive enquadramento como terrorismo — e que presos perigosos sejam mantidos por longos períodos em penitenciárias federais de segurança máxima.

O projeto Antifacções prevê mudanças como a elevação de penas para organização criminosa, domínio territorial e participação de menores, além de endurecer regras para progressão de regime. Seus defensores argumentam que, sem esse arcabouço legal, a resposta apenas policial se torna insuficiente para conter a atuação cada vez mais articulada e violenta das facções no estado.

À medida que o debate sobre segurança pública se intensifica, o desafio para Mato Grosso permanece complexo: combater a violência enquanto se aperfeiçoa a legislação e fortalece as instituições, em um contexto em que a presença de grupos criminosos segue expandindo sua influência no território e na vida da população.