Em 2026 Banco Central terá diretoria só de “lulistas” situação inédita após a autonomia da instituição

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Em 2026 Banco Central terá diretoria só de “lulistas” situação inédita após a autonomia da instituição

O Banco Central do Brasil (BC) entra em 2026 com uma diretoria completamente indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — pela primeira vez na história recente da autoridade monetária — após o fim dos mandatos dos dois últimos diretores nomeados na gestão de Jair Bolsonaro (PL) em 31 de dezembro de 2025. Essa mudança, somada à postura mais reservada da instituição sobre a condução da política monetária, tem gerado forte neblina e incerteza no mercado financeiro.

Segundo analistas, o cenário é marcado por dois elementos que dificultam a previsibilidade da economia em 2026: a substituição de técnicos experientes sem definição imediata de sucessores e uma nova postura de comunicação mais opaca do BC sobre o futuro da taxa básica de juros (Selic), que atualmente está em quase dois décadas de alta ao redor de 15% ao ano.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo — economista indicado por Lula — anunciou o fim da prática de divulgar as chamadas “setas” nas atas do Comitê de Política Monetária (Copom), que eram usadas para antecipar os rumos da política de juros e orientar expectativas de investidores e agentes econômicos. Essa mudança na comunicação oficial cria um ambiente de “caixa-preta” em que o mercado terá menos sinais sobre quando o BC pode iniciar cortes ou manter a taxa em níveis elevados.

A ausência de sinais claros aumenta a volatilidade nos juros futuros e complica o planejamento financeiro de empresas e investidores, que tradicionalmente dependem da previsibilidade da autoridade monetária para alocar capital e precificar ativos.

Pesquisa de mercado indica que a Selic poderá começar a ser reduzida em 2026, possivelmente já no início do ano, porém tal movimento dependerá mais da evolução dos dados econômicos do que de mensagens antecipadas pelo BC — refletindo um cenário de maior julgamento e menor transparência comunicacional.

Para especialistas, a composição “lulista” da diretoria e o mistério sobre a condução dos juros podem afetar a confiança do mercado e ampliar a aversão ao risco, especialmente em um ano eleitoral em que política e economia tendem a se misturar.

Com isso, o Banco Central de 2026 promete ser mais imprevisível, exigindo dos agentes econômicos novas estratégias para lidar com a incerteza sobre o rumo dos juros e a condução da política monetária brasileira.