A economia brasileira deve enfrentar um ano desafiador em 2026, em que o país terá de conciliar políticas fiscais de estímulo à atividade com a manutenção de uma política monetária restritiva, projetada para controlar a inflação persistente e estabilizar a confiança de mercados e consumidores. Essa é a avaliação central apresentada no programa Perspectivas 2026, da CNN Brasil, que reuniu economistas e especialistas para analisar os principais vetores macroeconômicos do próximo ano.
Um dos pontos destacados é a retirada do forward guidance pelo Banco Central, mecanismo que orientava o mercado sobre as intenções futuras da política monetária. A decisão foi motivada pela incerteza em torno da ampla injeção de R$ 28 bilhões na economia a partir da redução da faixa de isenção do imposto de renda — impacto cujo efeito no consumo ainda não está claro, o que amplia a imprevisibilidade sobre a pressão inflacionária.
As projeções indicam que a taxa Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,5% ao ano, mantendo-se em patamar elevado para conter a inflação, apesar de algum espaço para redução gradual ao longo do ano. Essa taxa de juros de dois dígitos reflete o ambiente no qual estímulos via crédito e renda pressionam a demanda agregada, exigindo uma postura contracionista do Banco Central.
Especialistas também apontam o desalinhamento entre as políticas fiscal e monetária. Enquanto o governo federal adotaria medidas de incentivo à economia e ao consumo, o Banco Central segue elevando ou mantendo os juros altos para conter a inflação e mitigar o aumento do Risco Brasil, o que pode elevar o custo do crédito e afetar o ritmo de crescimento econômico.
Nesse contexto de juros elevados, as cooperativas de crédito ganham relevância estratégica por conta de sua atuação regional e foco em pequenos negócios, produtores rurais e famílias com restrição financeira. Analistas afirmam que esse segmento pode mitigar os efeitos adversos da política monetária restritiva em economias locais e apoiar o acesso ao crédito.
Por outro lado, o ambiente de maior risco e custo de captação exige que essas instituições reforcem governança, gestão de riscos e eficiência operacional, dado que a alta da Selic impacta tanto o financiamento quanto a demanda por crédito.
A inflação continua sendo um elemento central das projeções para 2026, afetando o poder de compra da população, as decisões de consumo e a confiança dos agentes econômicos, com reflexos que ultrapassam indicadores macroeconômicos e alcançam o cenário político e institucional do país.
Em suma, o ano de 2026 promete ser um exercício de equilíbrio para a economia brasileira: com políticas fiscais voltadas ao estímulo e uma política monetária focada no controle inflacionário, os próximos meses serão cruciais para calibrar decisões que impactam crescimento, confiança e estabilidade macroeconômica.