Um levantamento inédito do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) revelou que até 80% dos homicídios registrados em Cuiabá e Várzea Grande em 2025 tiveram ligação direta ou indireta com facções criminosas. O dado reforça o avanço das organizações na disputa por território e no controle do tráfico de drogas nas duas maiores cidades da região metropolitana.
Segundo o delegado Caio Fernando Albuquerque, titular do DHPP, as investigações indicam que a maioria dos assassinatos decorre de conflitos entre integrantes de facções rivais ou de execuções internas por quebra de regras internas, conhecidas como “tribunais do crime”.
“Os homicídios deixaram de ser, na maioria, fatos isolados. Hoje, quase todos têm relação com facções que se organizam, planejam e executam crimes com alto grau de crueldade e controle territorial”, afirmou o delegado.
De acordo com o balanço, o perfil das vítimas também mudou: grande parte dos mortos é de jovens entre 18 e 30 anos, do sexo masculino, muitos já com passagem pela polícia por tráfico ou associação criminosa. A disputa por pontos de venda de drogas em bairros periféricos e áreas de ocupação irregular é o principal fator por trás dos crimes.
As cidades de Cuiabá e Várzea Grande concentram cerca de um terço dos homicídios registrados em Mato Grosso, e o DHPP tem intensificado operações integradas com a Polícia Militar e a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) para enfraquecer as estruturas faccionadas. Entre as medidas estão o mapeamento das lideranças locais, o cruzamento de informações de inquéritos e a integração de bancos de dados sobre armas e execuções.
Apesar dos números alarmantes, o DHPP aponta que houve queda de 9% no número total de homicídios em 2025, em comparação com o ano anterior. O resultado é atribuído à intensificação das prisões de lideranças e à atuação mais rápida em investigações de execuções sumárias e desaparecimentos ligados a facções.
“A redução é um reflexo direto do trabalho de inteligência e do enfraquecimento de grupos que vinham determinando mortes por meio de ordens de dentro dos presídios”, explicou o delegado Caio Fernando.
Ainda assim, o órgão alerta que o nível de influência das facções criminosas permanece elevado, com ramificações em pelo menos 20 bairros de Cuiabá e 15 em Várzea Grande. O controle sobre o tráfico de entorpecentes, cobranças de dívidas e execuções de rivais continua sendo o principal motor da violência letal nas duas cidades.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) anunciou que, para 2026, ampliará o uso de tecnologia de reconhecimento de padrões criminais, análise de dados de telefonia e reforço no policiamento ostensivo em áreas de maior vulnerabilidade, como parte de um plano para reduzir ainda mais a taxa de homicídios ligados ao crime organizado em Mato Grosso.