Corregedor Mauro Campbell confirma apuração contra Magid Nauef Láuar após denúncias de pedofilia surgirem em meio à polêmica absolvição
O desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), tornou-se alvo de uma investigação direta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por suposta prática de abuso sexual. A abertura do procedimento foi confirmada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, nesta segunda-feira (23), após novas e graves denúncias serem levadas ao conhecimento dos órgãos de controle.
A investigação surge no epicentro da revolta nacional causada por uma decisão da 9ª Câmara Criminal do TJMG, relatada por Láuar, que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12. Em seu voto, o magistrado havia defendido a tese de "vínculo afetivo" e "formação de núcleo familiar" para afastar a condenação por estupro de vulnerável.
As novas denúncias de abuso sexual contra o próprio desembargador foram inicialmente articuladas pela deputada Duda Salabert, que afirmou ter recebido relatos detalhados de supostas vítimas de pedofilia praticada pelo magistrado. O TJMG confirmou que já instaurou um procedimento administrativo interno para apurar a conduta funcional do desembargador diante dos fatos narrados.
O CNJ agora apura se as decisões proferidas pelo magistrado em casos de crimes sexuais possuem correlação com as denúncias de abuso pessoal, o que poderia configurar suspeição e anular julgamentos anteriores. O ministro Mauro Campbell decretou sigilo sobre os depoimentos das vítimas, mas reforçou que a gravidade das acusações exige um esclarecimento célere e rigoroso para preservar a integridade do Judiciário.