A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela que teria culminado na captura do presidente Nicolás Maduro provocou reação imediata no cenário político brasileiro — e, em Mato Grosso, parlamentares federais e estaduais ligadas à direita celebraram a ação americana, associando-a a críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao que chamam de influência da “esquerda” na política latino-americana.
Segundo reportagens locais, a deputada federal Coronel Fernanda (PL) qualificou a operação dos EUA como “necessária, porém tardia”, defendendo que a remoção do regime venezuelano poderia aliviar o sofrimento da população que fugiu da crise econômica em seu país — citando até o caso de uma funcionária venezuelana em sua casa que comemorou a notícia. Já o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) chegou a afirmar em vídeo que a captura de Maduro representava “entrar em 2026 com o pé direito”, em um tom religioso e de aprovação irrestrita da ação.
Outro parlamentar que se posicionou foi o deputado federal Coronel Assis (União Brasil), que aproveitou o episódio para criticar o presidente Lula por condenar o ataque norte-americano, classificando o regime venezuelano de “ditatorial e ligado ao narcotráfico” e relacionando o debate internacional à disputa política no Brasil, especialmente com vista às eleições de 2026.
A reação dos deputados de MT espelha um movimento mais amplo de deputados aliados à direita no Congresso, que enalteceram a ofensiva americana. Em nível nacional, figuras como o deputado Filipe Barros (PL-PR) anunciaram a intenção de enviar “ofício de congratulações” ao governo dos EUA pela operação contra Maduro, falando em “fim do regime de terror da esquerda”.
Por outro lado, a celebração entre parlamentares de direita contrasta com a postura de vários políticos brasileiros que repudiaram o ataque como violação do direito internacional. Autoridades do governo federal e lideranças de esquerda afirmaram que a ação constitui uma afronta à soberania venezuelana e pode estabelecer um precedente perigoso para a estabilidade regional.
No plano internacional, defensores da ação, incluindo governadores de outros estados, classificaram a ofensiva como uma resposta necessária ao que consideram regimes autoritários na América Latina, enquanto críticos, inclusive em organismos internacionais, pedem respeito ao direito internacional e maior atenção à diplomacia e mecanismos multilaterais de resolução de conflitos.
A divergência de posições evidencia o clima ideológico polarizado no Brasil, no qual eventos geopolíticos externos são rapidamente incorporados ao debate interno — sobretudo em um ano eleitoral marcado por disputas acirradas entre esquerda, centro e direita. A postura de deputados de Mato Grosso reflete não apenas alinhamentos partidários locais, mas também como crises internacionais podem ser apropriadas como símbolos políticos de disputa doméstica.
Para críticos, a celebração de uma ação militar estrangeira levanta questões sobre a percepção de soberania e sobre o papel de parlamentares brasileiros ao comentar conflitos internacionais, enquanto apoiadores defendem que a derrubada de Maduro representa uma chance de mudança para a Venezuela e um recado contra regimes autoritários na região.