Deputado José Medeiros critica propostas ambientais do governo e defende pecuária no Pantanal

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Deputado José Medeiros critica propostas ambientais do governo e defende pecuária no Pantanal

O deputado federal José Medeiros (PL-MT) fez duras críticas às propostas ambientais defendidas pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e por setores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que discutem a ampliação de áreas de reserva no Pantanal. Segundo o parlamentar, tais medidas podem comprometer a atividade pecuária tradicional e provocar a saída de produtores históricos da região.

Em declarações contundentes, Medeiros afirmou que as iniciativas partem de uma “visão distante da realidade local” e que muitos integrantes da equipe ambiental federal não teriam conhecimento sobre a vida e a dinâmica socioeconômica do bioma. Para ele, há um esforço de setores do governo para transformar o Pantanal em um “santuário intocável”, o que, na prática, significaria afastar pantaneiros de suas terras e inviabilizar atividades produtivas tradicionais.

A ministra Marina Silva e seus discípulos querem transformar o Pantanal em um santuário. Querem expulsar os pantaneiros daqui”, disse Medeiros, acusando o governo de tomar decisões a partir de gabinetes distantes e sem contato direto com quem vive no bioma. Ele comparou a percepção de alguns técnicos a uma visão de safári, vista apenas em documentários, e sem compreensão da convivência histórica entre produção rural e preservação ambiental no Pantanal.

O parlamentar ressaltou o caráter econômico e cultural da pecuária na região, defendendo que a criação de gado sempre esteve presente e integrava um modelo de uso sustentável do território. Segundo Medeiros, a ocupação humana no Pantanal nunca comprometeu o equilíbrio ambiental e ajudou, inclusive, na prevenção de incêndios ao reduzir o acúmulo de vegetação seca que serve de combustível para queimadas.

Especialistas em meio ambiente, entretanto, alertam que a conservação do Pantanal enfrenta desafios significativos, incluindo o aumento de queimadas em anos recentes, como demonstrado por dados de detecção de incêndios, que apontam valores recordes em algumas temporadas secas. Esse cenário tem motivado propostas de manejo mais rígido e criação de áreas protegidas para reduzir riscos ao ecossistema, reconhecido internacionalmente por sua biodiversidade única.

A crítica de Medeiros reflete o embate político e técnico em torno do futuro das políticas ambientais no país, especialmente em biomas onde o uso econômico e a conservação entram em tensão, gerando debates acalorados entre produtores, ambientalistas e autoridades federais.