Déficit público brasileiro cresce e acende alerta sobre estagnação econômica sem reformas estruturais

· 1 min de leitura
Déficit público brasileiro cresce e acende alerta sobre estagnação econômica sem reformas estruturais

O déficit público brasileiro voltou a preocupar economistas e investidores em 2025. O governo federal encerra o ano com as contas pressionadas por gastos obrigatórios crescentes, arrecadação abaixo do esperado e dificuldade em cumprir metas fiscais. O resultado primário negativo — que mede a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento de juros da dívida — aponta para um desequilíbrio que ameaça a estabilidade das finanças públicas e o crescimento econômico do país.

Segundo dados do Tesouro Nacional, o déficit acumulado supera os R$ 160 bilhões, resultado de um conjunto de fatores: expansão das despesas com previdência e folha de pagamento, renúncias fiscais sem compensação e aumento dos subsídios setoriais. Economistas alertam que, sem reformas estruturais, o Brasil corre o risco de repetir ciclos de endividamento e baixo crescimento.

“O país gasta muito mal e arrecada de forma ineficiente. A reforma administrativa e a tributária são essenciais para inverter essa trajetória”, afirma o economista Marcelo Lobo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para a professora de Economia da USP, Renata Moraes, o déficit persistente “reduz a capacidade de investimento público e afasta o capital estrangeiro, que busca previsibilidade fiscal”.

O ex-secretário do Tesouro André Paiva ressalta que “o governo precisa conter despesas obrigatórias e melhorar a qualidade do gasto, sob pena de ver o endividamento ultrapassar 90% do PIB até o fim da década”.

Sem as reformas necessárias, o país caminha para um cenário de baixo crescimento, juros elevados e menor confiança do mercado. “Sem ajustes, o Brasil corre o risco de viver uma década perdida em termos de desenvolvimento econômico”, avalia a socióloga Cláudia Farias, especialista em políticas públicas.

O desafio, segundo os analistas, será equilibrar responsabilidade fiscal com políticas sociais sustentáveis — uma equação que, até agora, o país ainda não conseguiu resolver.