CUIABÁ — O ano de 2026 começou mais pesado no bolso dos consumidores cuiabanos. Segundo levantamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e confirmado por dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o valor da cesta básica em Cuiabá voltou a ultrapassar os R$ 800 no início de janeiro, registrando uma alta média de 3,8% em relação a dezembro de 2025.
O custo total chegou a R$ 812,40, o maior valor desde março de 2023. O aumento foi impulsionado principalmente pelos preços do arroz, feijão, carne bovina e café, produtos que representam parte significativa do orçamento alimentar das famílias.
De acordo com o levantamento, o quilo do arroz subiu 7,2%, enquanto o feijão carioca aumentou 6,8% e a carne bovina teve reajuste médio de 5,5%. O leite integral, que havia recuado no fim de 2025, voltou a subir 2,9% por conta do período de entressafra e do aumento no custo dos insumos agropecuários.
“O início do ano costuma ser um período de recomposição de estoques e reajuste de margens no varejo, mas o avanço dos preços de alimentos básicos em Cuiabá tem sido mais intenso que a média nacional”, explica o economista Daniel França, do Imea.
O aumento também reflete fatores externos, como condições climáticas adversas em regiões produtoras e a alta no preço internacional de commodities agrícolas, além de custos logísticos elevados, especialmente no transporte rodoviário dentro do estado.
Segundo o Dieese, o trabalhador cuiabano que recebe um salário mínimo (R$ 1.650) precisou comprometer cerca de 49% da renda líquida apenas para comprar os 13 produtos básicos da cesta, sem considerar gastos com moradia, transporte, saúde e educação.
O levantamento mostra ainda que Cuiabá se mantém entre as 10 capitais mais caras do país no custo da cesta básica, superando cidades como Goiânia, Campo Grande e Belo Horizonte.
“Mesmo com a inflação sob controle, o poder de compra do cuiabano segue comprimido. O peso dos alimentos na renda familiar é o maior em uma década”, observa a economista Cristina Costa, do Dieese.
Para 2026, a tendência é de estabilização gradual dos preços no segundo trimestre, à medida que novas safras de grãos e hortifrutis cheguem ao mercado e o clima se normalize. Contudo, analistas alertam que o alívio pode ser limitado se persistirem custos elevados de combustíveis e frete.
Enquanto isso, famílias da capital têm buscado alternativas para economizar, como substituir carnes por ovos e frango, e recorrer a feiras populares e compras coletivas para reduzir o impacto no orçamento doméstico.
O estudo completo com a variação de preços por produto deve ser divulgado ainda nesta semana pelo Imea e pelo Procon-MT, que também monitora o comportamento dos preços em supermercados e mercados de bairro da capital.