O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou na terça-feira (23.12) a detecção do vírus da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma propriedade rural com aves domésticas de subsistência em Cuiabá, Mato Grosso. A confirmação laboratorial foi feita pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP), referência nacional para análises de sanidade animal.
O IAAP, variante do vírus que pode causar altas taxas de mortalidade em aves, já havia sido detectado anteriormente no Brasil, inclusive em um plantel comercial no Rio Grande do Sul no início de 2025, o que marcou o primeiro surto dessa natureza no setor produtivo brasileiro e reforçou a vigilância oficial em todo o país.
Em Cuiabá, as ações imediatas de contenção estão sendo coordenadas pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) em conjunto com o Mapa e apoio da Polícia Militar. Servidores do Indea montaram barreiras sanitárias na propriedade afetada, restringindo o acesso de pessoas, animais e equipamentos com potencial de transmissão. Todas as aves doentes foram sacrificadas e enterradas em valas para evitar o espalhamento do vírus, e as instalações estão sendo limpas e desinfetadas conforme os protocolos oficiais.
Além disso, equipes de vigilância monitoram propriedades em um raio de três quilômetros (zona perifocal) e até dez quilômetros da área afetada (zona de vigilância), seguindo o Plano Nacional de Contingência para Influenza Aviária. Cerca de 30 servidores permanecem 24 horas no local para garantir o cumprimento das medidas.
As autoridades reforçam que não há risco conhecido à saúde humana pelo consumo de carne de frango ou ovos devidamente inspecionados e que os alimentos continuam seguros. O foco registrado em Cuiabá não compromete a atividade avícola comercial do estado de Mato Grosso, que segue sob monitoramento constante.
Especialistas destacam que a detecção de IAAP, mesmo em aves de subsistência, representa um alerta para a necessidade de fortalecimento contínuo das práticas de biossegurança e vigilância epidemiológica, em um cenário global em que o vírus permanece ativo em populações aviárias.