Cuiabá-MT tem a maior taxa de feminicídios por 100 mil mulheres entre as capitais brasileiras em 2025

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Cuiabá-MT tem a maior taxa de feminicídios por 100 mil mulheres entre as capitais brasileiras em 2025

O Brasil encerra 2025 com um cenário alarmante de violência de gênero. Segundo o Monitor de Feminicídios no Brasil (Lesfem/UEL), a taxa nacional chegou a 5,12 feminicídios por 100 mil mulheres — o maior índice desde 2015. O destaque negativo é Mato Grosso, que lidera o ranking nacional com 19,6 casos por 100 mil mulheres. Dentro do estado, Cuiabá aparece como a capital com a maior taxa proporcional de feminicídios do país em 2025.

Taxa de feminicídio em Cuiabá

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT), Cuiabá registrou 21 feminicídios consumados e 37 tentativas até novembro de 2025. Considerando a população feminina estimada em 370 mil mulheres na capital, a taxa local chega a 5,7 feminicídios consumados por 100 mil mulheres e 15,7 quando incluídas as tentativas — a mais alta entre as capitais brasileiras.

A Sesp-MT aponta que 75% dos casos ocorreram dentro de casa e 80% foram cometidos por parceiros ou ex-companheiros, o que evidencia a natureza doméstica do crime. Quase metade das vítimas tinha medidas protetivas vigentes, o que indica falhas na execução da Lei Maria da Penha e na resposta do sistema de segurança.

Por que Mato Grosso lidera o ranking

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Lesfem apontam que fatores como baixa cobertura de delegacias especializadas, desigualdade social e cultura de violência doméstica explicam o alto índice de feminicídios no estado. Municípios como Rondonópolis, Sinop e Sorriso também figuram entre os mais violentos proporcionalmente.

A secretária adjunta de Segurança Pública, Carla Cecília Barros, afirmou que o governo estadual tem reforçado o número de delegacias de defesa da mulher e ampliado campanhas de conscientização, mas reconhece que o problema “reflete um padrão histórico de desigualdade de gênero e falta de acesso à proteção efetiva”.

Comparativo nacional

Enquanto Cuiabá apresenta cerca de 15,7 casos de feminicídio por 100 mil mulheres, outras capitais, como Macapá (AP) e Porto Velho (RO), aparecem logo atrás com taxas entre 13 e 14 casos por 100 mil mulheres. Já São Paulo, apesar de registrar o maior número absoluto de mortes, tem uma taxa proporcionalmente menor, de cerca de 2,4 por 100 mil mulheres.

Com base nos dados disponíveis, Cuiabá é a capital brasileira com a maior taxa proporcional de feminicídios em 2025, e Mato Grosso é o estado líder no ranking nacional. Os números mostram que o problema está mais concentrado nas regiões Centro-Oeste e Norte, onde a combinação de desigualdade social e falhas na rede de proteção amplia a vulnerabilidade das mulheres.