Creche prometida há 13 anos segue inacabada e famílias enfrentam falta de vagas em Várzea Grande-MT

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Creche prometida há 13 anos segue inacabada e famílias enfrentam falta de vagas em Várzea Grande-MT

Uma creche prometida há mais de 13 anos em um bairro de Várzea Grande continua parada, sem previsão concreta de conclusão, enquanto dezenas de famílias enfrentam diariamente a dificuldade de conseguir vagas para crianças na educação infantil. A ausência da unidade obriga pais e responsáveis a buscar atendimento em bairros vizinhos, ampliando filas, custos de deslocamento e desigualdades no acesso à educação.

A obra, anunciada ainda no início da década passada como parte de um programa de ampliação da rede municipal de ensino, deveria atender crianças de 0 a 5 anos. No entanto, o que se vê hoje é uma estrutura incompleta, com sinais de abandono, deterioração do canteiro e equipamentos nunca instalados. Moradores relatam que, ao longo dos anos, diversas gestões municipais prometeram a retomada do projeto, mas nenhuma conseguiu entregá-lo.

Impacto direto nas famílias

Sem a creche no bairro, mães e pais precisam acordar de madrugada para disputar vagas em unidades mais distantes. Em muitos casos, a alternativa encontrada é deixar as crianças com parentes ou pagar por creches particulares, o que pesa no orçamento familiar. “Eu perdi oportunidade de emprego porque não tinha onde deixar meu filho”, relata uma moradora da região, que prefere não se identificar.

Especialistas em educação infantil destacam que a falta de vagas não é apenas um problema social, mas também econômico. A ausência de creches limita a participação de mulheres no mercado de trabalho, reduz renda familiar e aprofunda desigualdades. Além disso, compromete o desenvolvimento das crianças nos primeiros anos de vida, considerados decisivos para aprendizagem futura.

Gestão pública e responsabilidades

A situação expõe falhas recorrentes de planejamento, execução e continuidade administrativa. Obras iniciadas e não concluídas geram desperdício de recursos públicos, passivos financeiros e frustração da população. Analistas em políticas públicas apontam que a descontinuidade entre governos municipais é um dos principais fatores para projetos paralisados por longos períodos.

Do ponto de vista legal, o direito à educação infantil está garantido pela Constituição e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A falta de oferta adequada pode, inclusive, gerar ações judiciais contra o município, aumentando ainda mais os custos para os cofres públicos.

Pressão por soluções

Moradores cobram transparência sobre valores já investidos, motivos da paralisação e um cronograma realista para a conclusão da creche. Conselhos comunitários e lideranças locais afirmam que o tema voltou a ganhar força diante do crescimento populacional do bairro e do agravamento das filas.

Enquanto não há definição, crianças seguem sem vaga e famílias continuam sobrecarregadas. O caso da creche parada há 13 anos em Várzea Grande simboliza um problema estrutural enfrentado por diversos municípios brasileiros: a dificuldade de transformar promessas em políticas públicas efetivas, especialmente quando se trata de educação básica e primeira infância — áreas em que o atraso cobra um preço alto e duradouro para toda a sociedade.