Os senadores que representam Mato Grosso no Congresso Federal utilizaram, ao longo de 2025, cerca de R$ 1,2 milhão em cotas parlamentares — recurso destinado ao custeio de atividades do mandato como passagens, divulgação parlamentar, aluguel de escritório e outros serviços correlatos. Os números, levantados a partir de dados públicos do Portal da Transparência do Senado, mostram movimentação intensa de recursos públicos e reforçam o debate sobre a utilização desses valores pelos congressistas.
As cotas parlamentares, também chamadas de “cotão”, são um benefício indenizatório previsto para cada senador e podem ser acumuladas mês a mês para uso ao longo do ano em despesas relacionadas à atividade legislativa. Em 2025, a bancada de Mato Grosso — composta pelos senadores Jayme Campos (União Brasil), Wellington Fagundes (PL), Margareth Buzetti (PP) e José Lacerda (PSD) — consumiu, em conjunto, cerca de R$ 1,2 milhão desses recursos.
No ranking de gastos, Jayme Campos aparece como o parlamentar que mais utilizou a cota, com despesas que totalizam cerca de R$ 449 mil no ano, seguido de perto por Wellington Fagundes, também com aproximadamente R$ 449 mil gastos em rubricas diversas. A senadora Margareth Buzetti, que atuou parte do ano como suplente, registrou cerca de R$ 294 mil em gastos até sua saída do mandato, enquanto o senador José Lacerda, que passou a ocupar a cadeira após essa licença, contabilizou quase R$ 99 mil nos meses em que esteve em exercício.
Os valores utilizados abrangem despesas com passagens aéreas e terrestres, divulgação da atividade parlamentar, combustível, hospedagem, alimentação, aluguel de imóveis para escritórios políticos e materiais de consumo, entre outras categorias permitidas pela cota parlamentar.
Embora os números estejam dentro do que a lei permite, a utilização elevada de cotas tem gerado questionamentos por parte de setores da sociedade civil e opositores políticos sobre a necessidade de maior transparência e critérios mais rígidos para o uso desses recursos públicos, especialmente em um contexto de discussão sobre eficiência do gasto público no Brasil.
Especialistas em transparência pública lembram que, apesar das cotas serem uma ferramenta legítima para apoiar a atividade parlamentar, o volume de recursos consumidos por cada deputado ou senador costuma atrair olhares críticos da opinião pública, sobretudo quando os valores se aproximam de cifras elevadas.
Dados adicionais apontam que a bancada de Mato Grosso também utiliza emendas parlamentares individuais e de bancada, que somam dezenas de milhões em liberação pelo governo federal e que podem ser indicadas pelos próprios senadores para serem aplicadas em projetos e obras no estado.
Em meio às articulações para 2026, o uso de cotas e emendas volta ao centro do debate político em Mato Grosso, com cidadãos e opositores questionando formas de aprimorar a transparência e o controle desses recursos.